Fazendeiros acusam sem-terra de matar bois e fazer arrastão; eles negam
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segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por José Maria Tomazela 
Anhembi,SP, 13 (AE) - Fazendeiros da região de Anhembi, a 260 quilômetros de São Paulo, acusam os sem-terra acampados na Fazenda Boa Esperança de terem matado bois e feito um "arrastão", nos últimos dias, nas propriedades vizinhas. Amanhã (14) termina o prazo para que as 1.200 famílias, que invadiram a fazenda no dia 21 de junho, deixem a propriedade.
O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Paulo Rodrigues, líder do acampamento da Fazenda Boa Esperança, negou que os acampados tenham se apropriado de ferramentas ou equipamentos das fazendas vizinhas ou abatido bois."Quem acusou tem que provar", disse. Segundo Rodrigues, tudo o que acontece de ruim na região é atribuido aos sem-terra. "Sei que antes da nossa chegada já ocorriam furtos nas fazendas." Ele admitiu que, se houver necessidade, os sem-terra poderão recorrer ao abate de bois para alimentar as famílias acampadas, mas negou que isso já tenha ocorrido."Não matamos boi nenhum", afirmou.
Na madrugada de hoje eles teriam matado um boi na Fazenda Graminha, no município de Piracicaba. O proprietário José Luis Dorin, que registrou a queixa no 7º. Distrito Policial
acusa os sem-terra de terem levado também várias ferramentas da propriedade. Na Fazenda do Turco, que faz divisa com a Boa Esperança, foram abatidas duas vacas, denunciou o proprietário Alfredo David. Houve furtos também na propriedade de Pedro Bolinelli, com o arrombamento das portas de uma casa, e o desaparecimento de um trator na fazenda de Eugênio Nardin Filho. Essas propriedades ficam no município de Piracicaba, mas estão perto da Boa Esperança, ocupada pelos sem-terra, em Anhembi.
Segurança - Os fazendeiros reuniram-se hoje com o prefeito de Piracicaba, Humberto de Campos (PSDB) para pedir policiamento. "Eles estão preocupados porque os sem-terra entram nas fazendas como se fossem donos e já avisaram que vão matar mais bois", disse Campos. Segundo o prefeito, os fazendeiros disseram que os acampados exibem armas de forma acintosa. Peões e empregados que tentaram abordar os sem-terra foram ameaçados. O prefeito entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública pedindo providências.Hoje foram enviadas viaturas para patrulhar a região.
João Paulo Rodrigues disse que os sem-terra farão uma assembléia amanhã (14) para decidir se deixam a fazenda. O despejo foi decretado no dia 22 de junho pela juíza Lígia Cristina Possas, de Conchas, mas o proprietário Osvaldo Calcidoni concordou em dar um prazo para a desocupação. Segundo Rodrigues, a expectativa do grupo é de que seja indicada outra área para o assentamento.
O fim do prazo para a desocupação deixou o clima tenso no acampamento. As barreiras na estrada de acesso foram reforçadas. Sitiantes são obrigados a dar a volta para chegar em suas propriedades. O comandante do 22º Batalhão da Polícia Militar, João Francisco Antunes, disse que irá ao acampamento na quinta-feira (15) cedo para pedir o cumprimento do acordo. "Se eles não saírem, vamos fazer a desocupação com o uso de força."


