Agência Estado
De Belém
O fazendeiro Fabiano Paiva, de 34 anos, matou com um tiro de espingarda no coração o garoto Júnior Clayton Silva, de 12 anos, quando ele brincava com outras crianças numa jaqueira dentro da propriedade do fazendeiro em Igarapé-Açu, no nordeste do Pará. O assassinato revoltou a população.
Cerca de duas mil pessoas passaram a noite de sexta-feira e madrugada de ontem tentando invadir a delegacia para linchar Paiva, que foi preso quando tentava fugir da cidade numa caminhonete. Nove policiais civis e militares, acuados dentro do prédio, foram obrigados a disparar vários tiros para o alto, enquanto por telefone pediam reforço de quatro municípios vizinhos para conter a multidão.
Dentro da delegacia havia mais cinco presos, também acusados de assassinatos na região. Todos, juntamente com Paiva, foram transferidos para a delegacia de Castanhal, a 70 km de Igarapé-Açu.
O enterro do garoto foi acompanhado por mais de 3 mil pessoas no início da tarde de ontem. A casa do fazendeiro foi apedrejada pela multidão. Um pelotão da PM evitou que a residência fosse invadida, saqueada e queimada. A família do fazendeiro foi retirada do local.
Segundo a polícia, tudo começou no final da tarde de sexta-feira, quando o fazendeiro encontrou um grupo de cinco crianças brincando em torno da jaqueira que fica dentro de sua propriedade. Irritado, ele pegou a espingarda e atirou em direção ao grupo de crianças. Uma das balas atingiu o coração de Júnior Clayton, que morreu na hora.
As crianças fugiram em pânico. Um menor de sete anos, A.B, chegou a ser atingido de raspão por um dos tiros. ‘‘Dei um tiro para o alto, apenas para espantar a molecada, que fazia muita algazarra todos os dias em volta da jaqueira e roubava frutas da fazenda’’, tentou justificar Fabiano Paiva durante o depoimento em Castanhal.
O PM Marcos Belarmino Matos contou que teve muito medo de que a população invadisse a delegacia e a incendiasse. ‘‘Tinha gente com gosto de sangue na boca. Graças a Deus que o reforço chegou a na hora em que a gente não estava mais suportando.’

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