Fazendeiro é condenado a 19 anos
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terça-feira, 06 de junho de 2000
Carlos Mendes De Belém Agência Estado 
O fazendeiro goiano Jerônimo Alves de Amorim foi condenado ontem a 19 anos de prisão pelo assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, no sul do Pará, Expedito Ribeiro de Souza. Amorim é acusado de ser o mandante do crime, ocorrido em fevereiro de 1991. A defesa do fazendeiro vai recorrer da sentença do Tribunal do Júri do Pará.
Jerônimo Alves de Amorim negou qualquer envolvimento com o crime. Cerca de 500 pessoas acompanharam, do lado de fora do tribunal, o julgamento. Com faixas e cartazes, eles pediam a condenação do fazendeiro.
Durante os debates, o promotor de Justiça Edson Cardoso pediu a condenação do fazendeiro na pena máxima - 30 anos - alegando que o crime foi premeditado. E apresentou aos sete jurados provas que definiu como irrefutáveis do envolvimento de Amorim com o crime. Entre eles, o canhoto de um talão de cheque e um bilhete do acusado ao gerente de sua fazenda, Francisco de Assis Ferreira, o Grilo, intermediário do crime, tratando do pagamento ao pistoleiro José Serafim Sales, o Barreirito, que matou o sindicalista com três tiros, um pelas costas e dois na cabeça.
Sales e Ferreira, julgados e condenados a 25 anos e 21 anos em 1995, respectivamente, apontaram Amorim como mandante do crime. Uma fita de um Globo Repórter com a reconstituição da morte do sindicalista também foi exibida ao Conselho de Sentença. Não há como fugir da responsabilidade comprovada do fazendeiro nesse assassinato, resumiu o promotor.
O advogado Américo Leal, defensor de Amorim, chegou a discutir com o juiz Cláudio Montalvão das Neves durante o depoimento do fazendeiro, quando este falava sobre suas propriedades em Goiás e no Pará, declarando-se um homem sério, honesto, trabalhador e gerador de muitos empregos. O juiz entendeu que aquelas considerações estavam extrapolando o tempo permitido e que o fazendeiro deveria limitar-se a responder às perguntas que lhe eram formuladas.
Leal exibiu um filme mostrando invasores de terras dentro da fazenda de Amorim, acrescentando que seu cliente era uma vítima dos movimentos sociais organizados que atuam no sul do Pará. Acusou integrantes da Igreja Católica afirmando que estes, apoiados no trabalho da CPT e da CNBB incitam, lavradores a agredir o direito de propriedade.
Em seu depoimento, Jerônimo disse que jamais viu pessoalmente Expedito. Só ouvi dizer que ele era preto, afirmou.


