Arquivo FolhaQuem atirou?Míriam Farias de Oliveira, atingida por um tiro no peito durante a invasão da fazenda São Domingos, disse que não consegue se lembrar do momento exato em que foi feridaTEODORO SAMPAIO - ‘‘O tiro que acertou a sem-terra Míriam Farias de Oliveira entrou pelas costas e saiu no peito, o que prova que ela, que caminhava em direção à sede da fazenda, foi atingida por seus próprios companheiros’’. A posição foi sustentada ontem pelo fazendeiro Osvaldo Fernandes Paes, proprietário da fazenda São Domingos, onde oito sem-terra ficaram feridos em confronto com seguranças, durante tentativa de invasão, no domingo.
De acordo Paes, a sem-terra disse em entrevistas, que estava de frente para a sede da fazenda, onde estavam os seguranças, quando foi atingida. ‘‘Isto é uma prova de que os sem-terra também estavam atirando’’.
Segundo o fazendeiro, mesmo possuindo armas em sua fazenda, eles não estavam preparados para uma invasão como a que aconteceu, com a mobilização de mais de 1.500 sem-terra. O ruralista disse que as armas que entregou para a polícia - com exceção de um revólver que pertence há muitos anos à sua família e de outro calibre 22, adquirido recentemente por seu filho, Manoel Rodrigues Paes Neto, para a prática de tiro ao alvo - estão registradas .
Ele também afirmou que durante o confronto, seu filho e os quatro empregados da fazenda, que continuam presos em Pirapozinho, usaram munição calibres 44, 38 e 22, negando que alguns sem-terra tenham sido alvejados com balas de borracha.
A versão do fazendeiro foi contestada ontem pelo irmão de Míriam, Sérgio Farias de Oliveira. Segundo ele, que também participou da invasão, sua irmã foi alvejada pouco depois de outro sem-terra, Antônio Levino Neves, ser baleado no peito. ‘‘Foi quando ela se virou e já começava a correr para fugir do tiroteio’’. A própria Míriam, que, mesmo estando fora de perigo, continua internada na Santa Casa de Presidente Prudente, disse que não consegue se lembrar do momento exato em que foi ferida.

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