Fazendeiro denuncia furto de gado em área invadida
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segunda-feira, 11 de agosto de 2003
José Maria Tomazela<br> Agência Estado 
Paranapoema - O fazendeiro Alexandre Maehara denunciou ontem à Polícia Civil o desaparecimento de 24 bois gordos da Fazenda Santa Terezinha, de sua propriedade, invadida há uma semana por um grupo que já soma 1.300 famílias de sem-terra em Paranapoema (120 km ao norte de Maringá). Ele acusa os sem-terra de terem matado ou vendido os animais avaliados em R$ 1 mil cada.
Também teriam sido furtados 5 mil litros de óleo diesel da fazenda. ''Eles usaram o combustível nos caminhões e tratores para o transporte dos invasores'', disse. O juiz de Paranacity, José Fogliar Júnior, concedeu na última sexta-feira liminar em ação de reintegração de posse para que a área fosse desocupada em 24 horas. O prazo já venceu, mas a ordem judicial não foi cumprida.
O coordenador do acampamento, Jauri Góes da Silva, de 35 anos, disse que os sem-terra não vão sair ''de jeito nenhum''. Um oficial de justiça esteve na fazenda intimando os coordenadores. ''É mera formalidade'', afirmou Silva.
O contingente de invasores é engrossado por famílias paulistas que migram do Pontal do Paranapanema, região vizinha. A fazenda fica na margem esquerda do Rio Paranapanema, que divide os dois Estados.
Durante o fim de semana, chegaram grupos de Teodoro Sampaio e Presidente Prudente. ''No lado paulista a repressão do governo é maior e eles estão vindo tentar a sorte aqui'', explicou o líder. Segundo ele, o governador Roberto Requião (PMDB) está sendo menos intransigente com os movimentos sociais. Silva negou o furto do óleo e o abate de animais. Ele permitiu que a cozinha coletiva fosse visitada para mostrar que não havia carne na despensa. ''Estamos usando apenas as instalações.''
As terras preparadas para o plantio por arrendatários da fazenda também serão usadas pelos invasores. ''Vamos plantar feijão, arroz, milho e mandioca'', disse o coordenador. Os sem-terra controlam o portão da entrada da fazenda, onde foi montada uma barricada com sacos de terra.
Maehara diz estar tendo prejuízos irrecuperáveis com a invasão. As 1.300 cabeças de gado de corte selecionado foram misturadas e várias cercas, rompidas. ''Ainda tenho cerca de 300 bois na parte invadida, mas eles não estão deixando retirar. A área foi considerada produtiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


