Belém, 20 (AE) - O fazendeiro Adelson Ursulino de Assis intimou hoje o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a "resolver, de uma vez por todas" o problema de 35 famílias que invadiram e ocupam desde 1991 a fazenda Jandaíra, em Concórdia do Pará, nordeste do Estado. Assis ameaça ingressar com liminar de reintegração de posse e pedir à Polícia Militar a retirada das famílias do local se até sexta-feira (24) o governo federal não lhe der uma resposta sobre a desapropriação da área.
Assis acusa o Incra de nos últimos dez anos vir "sistematicamente depreciando o valor do imóvel". Na primeira avaliação da terra, em 1992, revela o fazendeiro, o Incra fixou o valor da área de 724 hectares em CR$ 497 milhões, depois corrigido com a atualização da moeda para R$ 110 mil. "Hoje o Incra alega que a fazenda vale apenas R$ 17 mil".
Assis afirma que essa desvalorização vem ocorrendo porque ele recusou-se a "pagar propina" para funcionários do órgão em Belém. O chefe de gabinete do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Fernando Abreu, informou a Assis, em ofício datado de 14 de março, que o processo de compra e venda da fazenda voltou à superintendência do Incra, em Belém, para "verificar pendências detectadas referentes à documentação do imóvel".
Quanto à suposta tentativa de suborno, Abreu comunica ao fazendeiro que a direção do Incra em Brasília designou os servidores Bianor Saraiva Nogueira Júnior, Douglas Muniz Lyra e Valdir Nicolau Cunha, para formarem a comissão de inquérito que irá apurar a denúncia.O prazo para apresentação do relatório é de 60 dias.

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