Belém, 09 (AE) - O fazendeiro goiano Leonardo Dias Mendonça, acusado pela Polícia (PF) e Ministério Público Federal (MPF) de ser o maior transportador de cocaína do Brasil para o exterior, foi transferido ontem (08), sob forte esquema de segurança, de Belém para a Penitenciária Mariano Antunes, em Marabá, no Sul do Pará. Além dele, foram também transferidos os pilotos Ivanilson Alves, Osmar Anastácio e Pedro Mizael Ferreira.
Mendonça será ouvido em depoimento, na Justiça Federal, na quarta-feira (12). Depois da prisão da quadrilha e da denúncia feita contra ela pelos procuradores da República Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Júnior, será a primeira vez que Mendonça irá sentar diante de um juiz.
O piloto Anastácio estaria sendo ameaçado de morte e teria pedido para ficar em cela separada dos outros acusados. Ele tem colaborado com informações tidas como preciosas pela PF e pelos procuradores, revelando detalhes sobre a atuação do crime organizado em diversos Estados.
O delegado da PF José Sales disse não acreditar que os acusados façam novas revelações sobre a participação do grupo no esquema de narcotráfico. "Tudo que já foi apurado é o que está no inquérito e na denúncia do Ministério Público." Segundo a denúncia do MPF, Mendonça tem como sócio no Pará o empresário Wilson Torres, "proprietário oficial da Fazenda Belauto, em Tucumã, e encarregado da lavagem do dinheiro obtido nas operações".
Para isso, Torres se utilizaria de três construtoras, duas das quais em nome de terceiros, atuando como "mera fachada para suas ilícitas pretensões ". Desde os primeiros depoimentos
os acusados Anastácio, Juarez e Adão apontam Torres como sócio de Mendonça na Fazenda Belauto.
Essa afirmação foi repetida por Shirley, ex-companheira de Anastácio, em depoimento prestado na PF. Mendonça, por sua vez, afirmou na PF que, desde 1992, não tem qualquer tipo de sociedade com Torres, mas essa hipótese, de acordo com Cazetta, "é negada por todo o conteúdo documental até aqui colhido".
Às folhas 270 do processo, consta cópia de um compromisso de compra e venda da Fazenda Belauto, ao qual comparecem como compradores Torres e Mendonça. O documento é datado de janeiro de 1998.
Demonstrativos da participação de Torres no apoio ao transporte de cocaína são os extratos telefônicos do terminal de prefixo 435-1179, instalado na Agropecuária Belauto, onde estão registradas ligações sequenciais para o Peru, Colômbia e Suriname.
"O telefone da Colômbia é um telefone satélite utilizado pelos fornecedores da cocaína; os extratos telefônicos e a cópia do contrato foram arrecadados dentro da sede da Fazenda Belauto", diz Cazetta.

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