Manoel Roberto Barbosa, dono da Fazenda Santa Clara, em Mirante do Paranapanema (SP), invadida há uma semana por 300 famílias, concordou ontem com a permanência dos sem-terra no local. Barbosa começou a negociar ontem a venda da terra com o Incra, através do superintendente estadual Jonas Villas Boas, em Presidente Prudente, e deve autorizar hoje a vistoria para avaliação da área.
A decisão do fazendeiro evitou uma radicalização dos invasores, ligados ao MST, que já haviam anunciado disposição de permanecer na área. Pela manhã, Villas Boas se reuniu com os líderes do MST, entre eles José Rainha Junior, que preferiu não dar declarações. Quem falou foi o coordenador regional, Cledson Mendes, para enfatizar a disposição das 300 famílias invasoras em ficar.
Mendes disse que a parte ocupada, com cerca de 10 alqueires às margens do Rio Paranapanema, é remanescente do Assentamento Santa Clara, cujas terras foram declaradas devolutas e negociadas com o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) há quatro anos.
Bloqueio No Mato Grosso do Sul, a Polícia Rodoviária Federal de Dourados intermediou um acordo com famílias de sem-terra para liberar a BR-376. A rodovia foi bloqueada entre 6 horas e 12 horas de ontem por 100 famílias. Os sem-terra incendiaram pneus e madeira para reivindicar alimentação e assentamento.
O Incra se comprometeu a entregar hoje 250 cestas básicas às famílias. O grupo é ligado ao MSTR (Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais), rival do MST, e coordenado pela Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura). O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivinhema tem cadastradas 250 famílias acampadas no município.
No mês passado, o Incra identificou que são improdutivos 19% de um total de 177 mil hectares pesquisados em 42 imóveis rurais de Ivinhema. O trabalho foi feito pelo recém-criado Grupo Executivo de Ações Emergenciais do Cone-Sul (Getasul), que utilizou fotos do satélite Landsat e visitas nas fazendas. As famílias cadastradas em Ivinhema, que em junho do ano passado invadiram a Fazenda São Luiz e em seguida foram despejadas, reivindicam parte dessas terras improdutivas.

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