Curitiba, 21 (AE) - Uma fazendeira paranaense está tentando, na Justiça Federal, reaver o gado leiteiro e a colheita da lavoura de uma propriedade que está em processo de desapropriação e já foi ocupada duas vezes pelo Movimento Sem-Terra. A fazenda Jerusalém, em Nova Cantú, região Centro-Oeste do Paraná, foi considerada improdutiva há três anos pelo Incra, mas desde o decreto de desapropriação Helena de Souza Bórgio, 59 anos, tornou as terras produtivas. Agora, ela acusa o MST de roubar e matar seus rebanhos e ameaçar sua família. A fazendeira diz ainda que o Incra favoreceu os sem-terra, omitindo dados sobre a produtividadde, na vistoria de avaliação da área, em dezembro passado.
A primeira ocupação da fazenda Jerusalém aconteceu em julho de 1997. Helena Bórgio diz que inicialmente eram 70 homens, mas depois 20 famílias ficaram no local. Em três meses, segundo ela, foram roubados 130 porcos, 200 gansos, 20 cavalos e mortos 150 bois. Em outubro do mesmo ano, os invasores teriam brigado entre si e deixado a área.
No dia 1º de janeiro deste ano, cerca de 40 famílias voltaram a ocupar a fazenda, que já tinha 40 alqueires plantados de soja, 40 de milho e mais dez alqueires de mandioca, feijão e ração para o gado. Nos 248 alqueires de terra havia também 817 cabeças de gado e tratores. "A fazenda Jerusalém é da minha família há 43 anos. Eu e meus 13 filhos dependemos dela para nosso sustento", diz HElena Bórgio.
Um dos coordenadores estaduais do MST no Paraná, Rogério Antonio Mauro, nega as denúncias e diz que a fazendeira recorreu
mas já perdeu em todas as instâncias contra o Incra. "Nós já conversamos com o advogado dela e liberamos a entrada na área para que ela retire o gado e tudo o que tem lá. Nós queremos a terra e mais nada", diz Rogério Mauro. Segundo ele, as acusações de roubo e violência fazem parte de uma estratégia para enfraquecer o MST.
O advogado da fazendeira, Luiz Alfredo Cunha Bernardo, diz que na próxima terça-feira, representantes da Justiça Federal vão percorrer a área para filmar e fotografar as benfeitorias e as provas da produtividade da fazenda. Com isso, ele espera elevar o valor da indenização fixado em R$ 1,2 milhão em TDAs (Títulos da Dívida Agrária), para R$ 2,5 milhões em dinheiro.

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