O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra de Pernambuco (MST- PE) liderou ontem mais quatro ocupações de terra no Estado. O objetivo, segundo os sem-terra, é agilizar vistorias prometidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Não houve registro de incidentes. Também foi ocupada, sob o comando do MST-PE, uma área no município baiano de Curaçá, às margens do Rio São Francisco.
Nos últimos oito dias o MST em Pernambuco promoveu oito ocupações. O líder regional do movimento, Jaime Amorim, garante que essas não foram as últimas deste ano. ‘‘Para os sem-terra não tem final de ano’’, afirmou. ‘‘A gente não pára’’.
Segundo Amorim, mais de mil famílias de trabalhadores sem-terra participaram das ocupações de ontem. Duas das quatro áreas ocupadas em Pernambuco - as fazendas Ponta da Serra (1,8 mil hectares), em Araripina, no sertão, e Cabana (2 mil hectares), em Cachoeirinha, no agreste - já haviam sido invadidas duas vezes anteriormente. ‘‘O Incra demorou tanto a fazer as vistorias visando a desapropriação, que os donos das terras pediram e conseguiram reintegração de posse na Justiça’’, explicou Amorim. ‘‘Nós fomos despejados, mas estamos lá de novo’’.
As outras duas - Fazenda Mandacaru com 1,2 mil hectares, em Exu, no sertão, e Engenho Serraria de 600 hectares, em Moreno, na zona da mata - fazem parte de uma relação de áreas que o Incra se comprometeu a vistoriar em dezembro.
De acordo com Amorim, durante este mês as seis regionais do MST vão se reunir separadamente para fazer uma avaliação das ações realizadas e definir um plano para 1998. As reuniões são preparatórias para um encontro estadual que acontece de 22 a 24 de janeiro.

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