O fazendeiro e empresário Bráulio Lopes, de Loanda, confirmou ontem que tem seguranças na Fazenda Monte Azul, em Querência do Norte. A propriedade fica em frente a uma área de conflito, a Rio Novo, que também é protegida por jagunços. ‘‘Da porteira para dentro da minha fazenda eu coloco quem eu quero’’, afirma Lopes. Ele diz manter uma média de 20 seguranças na área, mas o número já chegou a 80. ‘‘Os sem-terra evitam mexer nas terras que estão protegidas’’, diz ele.
Lopes afirma que os sem-terra ‘‘têm dó’’ dele, e nunca tentaram nada contra a propriedade. Os seguranças, garante, foram contratados junto a uma empresa ‘‘legalizada’’ de Curitiba. ‘‘Não me lembro do nome da empresa’’, disse.
Filiado à União Democrática Ruralista (UDR), Lopes confirma que outras fazendas contratam seguranças, mas garante que não sabe de nada da propriedade dos outros.
O fazendeiro comenta que trabalhou a vida toda para conseguir o que tem. Além da Monte Azul, ele tem mais duas propriedades e um frigorífico em Loanda. ‘‘Não vou entregar minhas economias para vagabundo’’, disse.
Lopes disse que, no assentamento ao lado da propriedade, o Chico Mendes, onde Sebastião da Maia morava, existem 65 famílias assentadas. ‘‘Mas só cinco ou seis trabalham’’, garante. A Monte Azul tem 840 hectares, uma fábrica de ração e atua com boi semiconfinado. Lopes calcula uma média de quatro animais por hectare. (M.Z.)

mockup