Fazenda no MS vai reunir alta tecnologia e sem-terra
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de maio de 2001
José Carlos Cafundó Agência Estado 
A venda de metade da Fazenda Itamarati Sul, em Ponta Porã (MS), para o governo de Mato Grosso do Sul instalar 1.300 famílias de trabalhadores sem-terra, vai se transformar num marco da história agrícola do País, segundo o governador José Orcírio dos Santos (PT-MS), mais conhecido como Zeca do PT e um dos patrocinadores do negócio, fechado na última sexta-feira.
A fazenda como um todo, dividida ao meio por um ramal ferroviário, tem 50 mil hectares e produz, com a mais alta tecnologia agrícola disponível, 2.400 quilos de soja e 8,5 mil quilos de milho, em média, por hectare. Ao mostrar esses números, o diretor-técnico da fazenda, Hércules Cândido Brunelli Júnior, ressalta que o empreendimento, criado no início dos anos 70 pelo empreiteiro Olacyr Francisco de Morais, tem tudo aquilo que o mundo globalizado exige do setor rural. Uso intensivo de insumos modernos, alta tecnologia, alta produtividade e preços competitivos nos grandes mercados internacionais.
O governador sul-mato-grossense acredita, porém, que será possível instalar 1.300 famílias de trabalhadores sem terra na Itamarati e conviver com a alta tecnologia. Será o maior exemplo para o Brasil, disse Zeca do PT ao lembrar que os assentados serão organizados em cooperativa para tocar o empreendimento.
Com um conjunto de 90 pivôs centrais, capazes de irrigar e distribuir fertilizantes e defensivos em 10.270 hectares, a Itamarati-Sul tem retirado anualmente de seus campos nada menos que 100 mil toneladas de cereais, principalmente de soja e milho. Com isso, segundo Hércules Júnior, no balanço entre receitas e despesas sobrarão no caixa da empresa algo em torno de R$ 3 milhões neste ano agrícola. A média de receita final tem sido de R$ 5 milhões por ano, mas em 2001 ficamos abaixo porque o preço do milho desabou, disse.
Por causa de dificuldades econômicas do Grupo Itamarati, metade da fazenda foi negociada pelo Banco Itaú, um de seus credores, com o Incra, para o programa sul-mato-grossense de assentamento de sem-terras. O negócio, de R$ 27,5 milhões, foi fechado na sexta-feira.
No fim dos anos 80, conhecido como o Rei da Soja, o empresário Olacyr Morais era dono de 9 fazendas que ocupavam 300 mil hectares com soja, milho, arroz, feijão, trigo, cana, algodão e 40 mil cabeças de gado de corte e de leite.


