Belém, 24 (AE) - A Polícia Militar do Pará vai despejar, amanhã (25) pela manhã, os 600 trabalhadores rurais sem-terra que há dois meses ocupam a Fazenda Taba, na Ilha de Mosqueiro, distrito de Belém. Cerca de 300 homens do Batalhão de Choque foram destacados para a operação. Hoje à tarde, 20 policiais militares, comandados pelo major Francisco Ferreira da Silva, do destacamento de Mosqueiro, fecharam a estrada de Carananduba, onde fica a fazenda, para revistar veículos e pessoas que passavam pelo local. Naquele horário, apenas 52 famílias estavam na fazenda. Os demais, engrossavam uma manifestação, pelas ruas de Belém, de cerca de mil famílias da Fazenda Bacuri, de Castanhal, que reivindicam a desapropriação da área ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)
A ação policial de hoje chegou a ser apontada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) como antecipação do despejo marcado para amanhã, mas a informação foi desmentida pela assessoria do secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara. "O major dirige o quartel de Mosqueiro e costuma fazer essa operação de verificação de documentos rotineiramente em toda a ilha", disse a assessora Lucélia Fernandes. A ordem para o despejo partiu de Sette Câmara, que recebeu "carta branca" do governador Almir Gabriel (PSDB), segundo a assessora. Ontem, o órgão especial do Tribunal de Justiça do Estado, enviou ofício a Gabriel dando prazo de cinco dias para o governo cumprir a liminar de reintegração de posse em favor de ex-empregados e proprietários da fazenda. Caso a decisão judicial fosse novamente ignorada pelo governo, como ocorrera há uma semana, o Estado poderia sofrer intervenção federal.
O superintendente do Incra em Belém, Darwin Boerner, disse que os dirigentes do MST deveriam "fazer uma reflexão e usar de bom senso", aceitando a proposta do órgão de ir para uma das três fazendas que o instituto tem disponível para reforma agrária em municípios próximos da capital paraense. "Infelizmente, eles recusaram a nossa oferta", disse. Segundo o coordenador do MST em Belém, Alcenir Monteiro, se os sem-terra forem retirados à força da fazenda, eles irão "armar seus barracos de lona na porta do Tribunal de Justiça".

mockup