Fazenda invadida é considerada produtiva
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
Da Redação 
O empresário Pedro Moretto, sócio da Aliança Participações Societária, holding proprietária da Fazenda Fartura, no município de Paranacity, invadida por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na última sexta-feira, disse ontem na Redação da Folha, que ao contrário do que afirmou um dos integrantes do movimento, a propriedade é produtiva.
Moretto apresentou cópia da certidão do Incra que classifica a propriedade na categoria de ''grande propriedade produtiva''. A declaração do Incra consta de ofício datado de 3 de novembro de 2005. ''A situação da fazenda é de total regularidade, inclusive com as áreas de reserva legal todas averbadas em cartório'', disse Moretto.
O empresário buscou uma solução pacífica para a invasão ao pedir a intermediação do prefeito de Paranacity, Shideo Yamamoto, para negociar com líderes do movimento. A prefeitura pretende fazer um assentamento modelo no município. Os ocupantes deixaram o local no domingo (25). Pedro Moretto disse que chegou a se preocupar com a segurança das pessoas que moram na propriedade.
Estranha coincidência - Fazendeiros do Paraná se queixam que estariam sendo procurados por corretores que propõem a venda do imóvel para o Incra. Segundo afirmam, como não há terras consideradas improdutivas pelos critérios do Incra, o órgão estaria se dispondo a comprar fazendas para futuros assentamentos. Ainda segundo os fazendeiros, esses corretores estão ''propondo negócio seguro'', pois o Incra teria recursos para as transações.
Em pelo menos dois casos, ocorreram coincidências no mínimo curiosas: enquanto os papéis com a proposta tramitam no órgão federal, ocorrem ameaças de invasões das propriedades; grupos montam acampamento nas proximidades das fazendas e se mostram bem informados sobre a condição do imóvel. Ninguém diz que age em nome no Incra. Apesar disso, alguns fazendeiros acreditam que o fato pode prejudicar o instituto, pois ''chegará o momento em que ninguém vai querer negociar com o órgão para não ser alvo de pressão''.
A assessoria de imprensa do Incra no Paraná, admitiu que possam ocorrer ''vazamentos de informações''. ''Não sabemos como acontece (o vazamento). É um problema que a gente vem diminuindo. Estamos conseguindo maior confiança dos proprietários que vêm oferecer a área e o processo é sigiloso. Até ser feita a audiência pública de compra da área, o processo tramita de forma sigilosa'', assegurou a assessora. A assessoria ainda disse ser normal a negociação acontecer por intermédio de corretores. ''Eles (proprietários) não vêm negociar propriamente a área. Alguns corretores vêm nos procurar e isso acontece porque é direito do proprietário. Quando essa superintendência assumiu, aumentou essa confiança do proprietário em ofertar a área. A maioria dos processos este ano foi por compra e não por desapropriação'', disse.
A Folha tentou falar com o superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, mas o telefone celular estava desligado.


