Fazenda Figueira retoma atividades
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sexta-feira, 09 de outubro de 2015
Rafael Fantin<br> Reportagem local 
A Fazenda Figueira retomou as atividades agrícolas e do rebanho na última quinta-feira, após a saída dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que permaneceram acampados por 50 dias na área de 3,7 mil hectares no distrito de Paiquerê, na zona rural de Londrina. No início desta semana, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) confirmou a produtividade do local, o que provocou a desocupação da área pelos trabalhadores rurais, conforme o previsto pelo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público (MP) durante as negociações do conflito.
Segundo o administrador da fazenda, José Renato Gonçalves, a limpeza da área ocupada foi o primeiro passo para o reinício das atividades, pois entulhos e lixo foram deixados no local. Além disso, ele afirmou que a área agrícola vai ter que passar por readequações para voltar a ser produtiva. O acampamento com cerca de 1,2 mil famílias foi montado em uma área onde milho foi colhido dias antes da invasão, na fazenda experimental da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq).
De acordo com Gonçalves, a rotina de cuidados com o rebanho também foi reiniciada com manejo e outras técnicas para garantir o nascimento dos bovinos. O local tem aproximadamente 5 mil cabeças de gado. A reserva natural de Mata Atlântica ainda será avaliada pelos funcionários da Fazenda Figueira. Ontem, os trabalhos foram prejudicados por conta das chuvas que caíram continuamente na região de Londrina. "Aparentemente não houve danos patrimoniais, mas ainda vamos fazer um relatório detalhado sobre os prejuízos provocados pela parada das atividades e até avaliar se existe a possibilidade de pleitear o ressarcimento", adiantou.
Gonçalves lembrou que as pesquisas realizadas em parceria com as universidades estaduais de Londrina e Maringá também foram prejudicadas pelos 50 dias de ocupação do MST, principalmente com a perda de informações levantadas pelo monitoramento diário para acompanhar os experimentos na fazenda. "Testes de um novo capim precisam de avaliações semanais com mudanças de acordo com as estações do ano. No caso dos animais, desempenho, peso e tamanho são monitorados com frequência", exemplificou. O administrador informou que uma reunião com as universidades deve ser agendada para discutir a recuperação de dados e retomada das pesquisas com a participação dos estudantes.
A assessoria de imprensa do Incra informou que parte dos acampados da Fazenda Figueira vão permanecer provisoriamente nos assentamentos Eli Vive I e II, no distrito de Lerrovile, onde 412 famílias já foram assentadas desde 2010 em uma área 5,8 mil hectares. O Incra trabalha em parceria com a Prefeitura de Londrina e com a Sociedade Rural do Paraná (SRP) para aquisição de áreas ofertadas na região para reforma agrária. Segundo dados da Assessoria Especial para Assuntos Fundiários do governo do Estado, três áreas são cotadas como possíveis assentamentos com o interesse de proprietários na venda das fazendas ao Incra.
José Damasceno, líder do MST na região de Londrina, cobrou as áreas para desapropriações previstas no acordo com a intermediação do MP. Ele informou que parte dos integrantes do movimento voltou para o município de Tamarana, onde estava acampada na marginal de uma rodovia antes da ocupação na Figueira. "Cumprimos a nossa parte do acordo que era a saída em três dias após o resultado do laudo. Agora vamos cobrar a área para assentamentos das famílias."


