Fazenda em Tamarana é desocupada pela 3 vez
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terça-feira, 19 de junho de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Cerca de 200 policiais militares de Londrina, Cornélio Procópio, Rolândia, Apucarana e Maringá, foram deslocados, ontem, para cumprir o mandado de reintegração de posse da Fazenda Tamar, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). A área, cujo proprietário é morador do Estado de São Paulo, já foi ocupada em anos anteriores e ontem seria a terceira reintegração de posse realizada no local.
As 70 famílias, que integram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocupavam uma parte da área que totaliza 1,2 mil alqueires. Eles foram surpreendidos com a presença da polícia no local, porém, saíram pacificamente e não houve nenhum confronto com as autoridades policiais. Os sem-terra estavam morando no local há quase dois anos. Esperançosos com a possibilidade de conseguirem um pedaço de terra, os ocupantes já tinham nomeado o local como Acampamento do MST ''Oziel Alves''.
Segundo o comandante da operação, major Fábio Luiz Rincoski, a ação começou a partir das 7h30 da manhã quando estiveram presentes no local dois oficiais de justiça. ''Houve apenas um sem-terra que estava portando uma espingarda que acabou sendo encaminhado para a delegacia de Tamarana, mas não houve nenhum tipo de problema'', comentou o major.
Os integrantes do MST viviam do cultivo de milho, mamona, arroz, feijão, mandioca, entre outras plantações. Muitas famílias também criavam porcos e galinhas.
O casal Amauri Machado, 56 anos e Marta de Azevedo Machado, 51, estava saindo para a roça quando foram surpreendidos com a presença da polícia. Os dois contavam com o apoio de algum líder do movimento, mas nenhum deles foram encontrados pela reportagem no local. ''Eles tinham ido para Brasília e estava quase tudo certo que essa área seria dada para o Incra. Nós tínhamos esperança de ficar por aqui, fomos pegos de surpresa. Agora não temos para onde ir e nem vai dar tempo de pensar em alguma coisa'', comentou Machado, que vive na área ocupada há um ano e meio.
Trabalhadores de caminhões de frete, pagos pelo proprietário da fazenda, ajudavam os sem-terra a desmontar seus barracos e recolher seus objetos. Nenhuma das famílias sabia para onde ir. Algumas mulheres com idade já avançada, passaram mal ao ver suas casas sendo desmontadas.
O casal Júlio César, 42 anos e Maria Sonia da Silva, 46, ficou sem reação ao ser comunicado que teria que abandonar a vida no campo. ''Minha menina está na escola, tenho que esperar ela chegar. Não temos para onde ir. Tenho saco de milhos para levar, galinhas, porcos, não sei o que fazer. Nós precisavamos ter mais tempo para arranjar algum lugar para ir'', comentou, emocionada, Maria Sonia.
Algumas famílias pensavam em ficar, provisoriamente, num outro acampamento do MST, em Tamarana mesmo, mas nem todas acataram a decisão. O proprietário da fazenda esteve no local mas não quis falar com a Folha.
A assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Curitiba, informou que o processo de desapropriação da área de 1.377 hectares (suficiente para assentar 80 famílias) foi iniciado em 1996 ''mas não caminhou''. Agora, como a área foi invadida, uma medida provisória de 2000 impede que o órgão faça a vistoria para definir se a propriedade é produtiva ou não. Esse trabalho só poderá ser feito daqui a dois anos, caso não haja mais invasões. Por outro lado, o Incra informou que o proprietário também não manifestou a intenção de negociar a fazenda. (Colaborou Luciano Augusto)


