Fazenda em Ortigueira abriga pista
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Luciane Tonon 
O avião prefixo PT CBH/560 foi o primeiro a pousar na pista, que está sendo construída há dois meses na Fazenda Santa Maria, em Ortigueira (80 km ao Sul de Apucarana) de propriedade do agropecuarista José Antônio Daher. Controlado por um radioamador, instalado na sede da fazenda, o avião pousou e logo em seguida a caminhonete C-20, placa BZJ 9858 de Rolândia, chegou para o descarregamento.
A fazenda tem uma área de 1,4 mil hectares e a única atividade econômica é a pecuária de corte, com o confinamento de 360 cabeças de gado. Três famílias de trabalhadores rurais moram na propriedade e trabalham para Daher.
Apesar da movimentação com a chegada da aeronave, os funcionários da fazenda, que trabalham com confinamento de gado, pareciam nada saber sobre a prisão dos proprietários. A equipe de reportagem daFolha foi recebida sem receios e acompanhada até o local da pista. As notícias divulgadas desde a manhã de ontem por emissoras de rádio de Londrina, ainda não haviam chegado ao conhecimento das famílias.
Este foi o primeiro avião que pousou aqui, confirmou um dos funcionários. Eu vi que chegaram uns estrangeiros aqui, não sei se eram da Bolívia ou da Argentina, acrescentou, demonstrando desconhecer o tipo de carga que o avião trazia. Ao ser questionado pelaFolha se o avião transportava somente pessoas ou também carga, ele alegou nada saber. Faz pouco tempo que trabalho aqui.
Mesmo inacabada, a pista de cerca de 500 metros de extensão, que até agora só recebeu uma camada de pedras compactadas com trator de rolo, iria mudar a rotina dos moradores do patrimônio Manjolim, segundo expectativa manifestada por eles. Nós vimos o avião passar bem baixinho, disse a dona de casa Dolores Lourenço, que mora nas proximidades. Fazia tempo que a gente não via um avião de perto. Tomara que agora desçam sempre aviões aqui, comentou o trabalhador rural Carlos Tonelli. Ele confirmou que não tinha visto nenhum outro avião descer na Fazenda Santa Maria antes.
Para a vizinhança, a pista traria progresso para a região. Nós moramos no mato, não entendo muito de avião, mas acho que vai ser bom para todo mundo ter uma pista aqui, comentou um trabalhador rural.
O desconhecimento dos funcionários e moradores vizinhos da fazenda, sobre a finalidade da pista, entretanto, confronta com o cenário encontrado no local. A porteira de entrada estava trancada com corrente e cadeado e para se chegar até a pista, é preciso atravessar outras cinco porteiras.
Até o final da tarde de ontem, o avião permanecia onde pousou e nas proximidades as marcas de manobras de carros eram visíveis no solo, inclusive a da caminhonete utilizada.


