Luiziana - Um grupo de sem-terra ocupou ontem de manhã a fazenda Baronesa dos Candiais, em Luiziana (35 km ao sul de Campo Mourão). Eles estavam há mais de um ano acampados às margens da PR-549, em frente à fazenda. Segundo Paulo Sérgio Souza, da direção estadual do MST, cerca de 800 pessoas, incluindo crianças, estão no local.
''Esta ocupação caracteriza a vontade das pessoas de ter terra. Significa a raiva e a destruição do latifúndio'', disse Souza. Segundo ele, as famílias acampadas estavam praticamente sem comida e ocuparam a área para iniciar o plantio de arroz, feijão e mandioca. ''Famílias passando fome e um grande latifúndio em frente. Isso era injusto''.
A fazenda Baronesa dos Candiais tem 244 alqueires e ainda está em fase de vistoria pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ela pertence à Algolim Agropecuária e está arrendada ao agrônomo Valdomiro Bognar. O arrendatário diz que tem laudo do Incra que a propriedade é produtiva e que vai pedir a reintegração de posse.
No ano passado, os sem-terra chegaram a ser retirados três vezes pela Polícia Militar das margens da rodovia, a pedido dos donos da fazenda. Acabaram voltando através de um acordo com o ouvidor agrário nacional. Ontem a PM esteve no local e intermediou um acordo para que fossem retirados da área maquinários e os móveis do administrador.
Os sem-terra entregaram à polícia uma espingarda calibre 12 e um revólver 38 que estavam na fazenda. Bognar alega que a fazenda tinha duas outras armas uma outra espingarda 12 e uma pistola 380. Souza negou que a ocupação tenha sido realizada como forma de pressionar a desapropriação da fazenda. Ele disse que o grupo sairá da área se houver uma ordem judicial nesse sentido. ''Acreditamos na Justiça e vamos aceitar o que ela decidir''.

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