Fazenda detalha revisão do acordo com FMI
Brasília, 5 (AE) - Continuação dos principais tópicos da revisão do memorando de políticia econômica que faz parte do acordo com o FMI:
Comércio exterior - menos favorável do que se previa. Superávit estimado para 99 é de US$ 4 bilhões contra US$ 10,8 bilhões na previsão inicial. Para 2000, a previsão é de superávit de US$ 9 bilhões. A balança comercial continuou a apresentar déficit nos cinco primeiros meses de 99 em consequência da reação mais lenta que a esperada do volume de exportações e do declínio menos acentuado no volume das importações. A expectativa é de que o saldo da balança comercial se recupere a partir do meio do ano, na medida em que se intensifiquem a reação das exportações à desvalorização da taxa de câmbio real, que as restrições ao financiamento de exportações se reduzam mais e as relações de troca se estabilizem.
Balanço de pagamentos - déficit deverá cair para US$ 21 bilhões neste ano em comparação com o de US$ 33,6 bilhões de 98. Em 2000, deve cair para US$ 19 bilhões. A previsão é em consequência da balança de serviços, que deve apresentar melhores resultados de forma mais acelerada que a prevista inicialmente.
Contas de capital - continuam a ser afetadas por incertezas significativas no ambiente externo. Tal como outros mercados emergentes, o Brasil continua vulnerável a choques nos mercados financeiros internacionais, embora o fortalecimento da política econômica e a mudança para um regime de câmbio flutuante tenham reduzido essa vulnerabilidade. Se não houver choque externo e o mercado financeiro internacional continuar a ter uma postura cautelosa em relação aos mercados emergentes, estima-se que os ingressos de recursos no Brasil ultrapassem as necessidade de financiamento da conta corrente por uma margem pequena no segundo semestre deste ano, levando a um superávit global do balanço de pagamentos de cerca de US$ 3 bilhões nesse período.
Investimento direto - continua a crescer em ritmo vigoroso, totalizando US$ 31,3 bilhões nos 12 meses terminados em maio de 99 e US$ 10,7 bilhões nos primeiros cinco meses do ano. A despeito do adiamento para o início de 2000 de algumas privazizações previstas para o último trimestre deste ano, expectativa é de que os investimentos diretos externos alcancem pelo menos US$ 18 bilhões neste ano, o equivalente a 85% do déficit em conta corrente.
Emissão de bônus - estão previstas novas emissões de bônus soberanos no segundo semestre deste ano, que terão como principal objetivo o refinanciamento da dívida externa pública vincenda e o estabelecimento de parâmetros para os tomadores do setor privado ao longo da curva de rendimentos. O governo pretende reduzir gradualmente a participação da dívida externa e da indexada ao câmbio na dívida pública total, pari passu com a expansão e o fortalecimento dos mercados internos de capital.





