Fazenda desocupada em outubro é invadida de novo pelo MST
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os proprietários da Fazenda Sonda, em Santa Maria do Oeste, pediram ontem a reitegração de posse da área que foi reocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na manhã de segunda-feira. De acordo com o administrador da fazenda, Carlos Alberto Farina, essa já é a segunda invasão em apenas cinco meses. A primeira foi no dia 12 de maio, quando 150 famílias ocuparam a área. ''Na oportunidade, eles depredaram toda a fazenda. Mataram entre cinco e seis cabeças de gado por dia e desapareceram com mais de 400 cabeças de gado'', denunciou.
A reitegração de posse da fazenda aconteceu no dia 13 de outubro. Depois de um acordo entre o governo do Estado e o MST, as famílias deixaram a fazenda e acamparam à beira da rodovia. Para garantir a segurança no local, foram contratados 16 seguranças. Todos eles estavam armados com revólveres registrados e tinham porte de arma. ''Nessa segunda-feira, chegaram caminhões e ônibus com mais famílias de sem-terra. O pior: eles estavam armados com espingarda, pistola e revólveres. Graças a Deus não aconteceu nada. Os nossos funcionários foram agredidos com batidas de facões no rosto e nas costas, mas não reagiram'', argumentou Farina.
Além dos revólveres dos seguranças, o MST teria confiscado telefones celulares, documentos, automóveis e camionetes. Os vidros da casa sede teriam sido destruídos. ''A situação beira o caos. Esta fora de controle. Tenho a impressão que está se instalando no Paraná um poder paralelo, liderado pelo MST'', considerou Farina. A Fazenda Sonda possui 900 alqueires e pertence ao grupo gaúcho Master Sonda Supermercados. Além de criação de gado bovino, a fazenda tem plantação de soja, milho e aveia.
Ontem, a Polícia Militar de Guarapuava confirmou que cerca de 600 pessoas reocuparam a área. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública informou ontem que aguarda a decisão judicial para fazer a reitegração imediata da área. A reportagem da Folha tentou entrar em contato com o MST, mas não conseguiu localizar ninguém.
O coordenador da Ong Terra de Direitos (que defende os direitos dos trabalhadores rurais sem terra), Darci Frigo, afirmou que a área foi invadida porque já havia uma sinalização para a venda da propriedade por parte dos proprietários. A notícia não foi confirmada à Folha pelos proprietários, que reafirmaram não terem intenção de vender a fazenda.
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa de Lacerda, também garantiu que não existe qualquer negociação para a compra da Fazenda Sonda. ''Não tivemos pré-disposição do proprietário em vender áreas'', argumentou. O presidente da União Democrática Ruralista (UDR) da região de Guarapuava, Humberto Mano de Sá, classificou a nova invasão como um desafio ao governo do Estado. Essa foi a segunda invasão em apenas duas semanas. ''O governo havia prometido duas reitegrações de posse para cada invasão. Estamos esperando quatro reitegrações nos próximos dias'', afirmou o ruralista.
Ontem, a Secretaria de Estado da Segurança confirmou o compromisso de promover a reitegração de duas áreas a cada fazenda invadida pelo MST. As áreas que terão ordem de despejo ainda não foram definidas.


