Agência Estado
De Buritis
Famílias de sem-terra de cinco municípios acamparam, ontem pela manhã, em frente à Fazenda Córrego da Ponte, de 1,3 mil hectares, pertencente à família do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os sem-terra estão decididos a permanecer em vigília na frente da porteira da propriedade até que sejam liberados recursos para custeio e investimentos na plantação para vários assentamentos e acampamentos. As famílias dizem que o grupo tem 400 pessoas, mas a Polícia Militar calcula, no máximo, 150. Eles ameaçam com a ocupação da fazenda, caso o governo federal não libere o dinheiro.
Ameaças deste tipo não são novidades para o administrador da fazenda, Wander Gontijo, mas ele também se surpreendeu quando viu as famílias chegarem, em ônibus e caminhão, por volta das 9 horas da manhã. Os sem-terra dizem ter alimentos e condições de ficar no local pelo menos por uma semana. ‘‘Ficaremos aqui o tempo necessário e não descartamos a possibilidade de ocupar a fazenda para sensibilizar o governo federal’’, avisou um dos líderes do grupo, Jorge Augusto Xavier. Segundo ele, 22 assentamentos e dois acampamentos prestes a ser regularizados esperam cerca de R$ 3 milhões em crédito para custeio. São R$ 2 mil por família, para a aquisição de sementes, adubo e outros produtos que garantem o início do plantio.
‘‘Esse dinheiro era para ser liberado até julho, no máximo’’, afirmou Xavier. De acordo com as famílias, se o plantio não for feito até o dia 30, há riscos de perda da colheita. Cada família também deve receber R$ 1,4 mil de crédito de fomento e alimentação. Os sem-terra vieram dos municípios de Buritis, Arinos, Unaí, Formoso e Cabeceira de Goiás, todos próximos da fazenda.
Jorge Xavier disse que há 15 dias, durante uma ocupação da agência do Banco do Brasil de Buritis, foi firmado um acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para liberação do crédito de custeio. Segundo ele, o superintendente regional do Incra, Josias Julio do Nascimento, chegou a enviar um fax de Brasília para Buritis garantindo que o dinheiro sairia. Agora, de acordo com Xavier, tanto o instituto quanto o Ministério de Política Fundiária, dizem que o governo federal não repassou o orçamento para ações de reforma agrária.
Ao saber do acampamento dos manifestantes, o presidente não fez nenhum tipo de recomendação fora da rotina, de acordo com Gontijo. São 10 pessoas trabalhando na fazenda e, de acordo com o administrador, o número não foi reforçado.

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