Fazenda da Syngenta é desocupada no PR
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quarta-feira, 01 de novembro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Santa Tereza do Oeste- Quase um mês depois de uma decisão judicial em favor da multinacional Syngenta Seeds, a Secretaria de Secretária Estadual de Segurança Pública (Sesp) informou na tarde de ontem que havia sido iniciada a desocupação negociada da fazenda experimental de transgênicos da empresa em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel). A propriedade está situada no cinturão de proteção ecológica do Parque Nacional do Iguaçu e havia sido invadida em 14 de março por militantes da Via Campesina contrários às pesquisas com organismos geneticamente modificados (OGMs).
A ordem de reintegração de posse saiu em 8 de outubro e o Estado deveria promover a desocupação da área num prazo de 15 dias, sob pena de ser multado em R$ 50 mil por dia de descumprimento. O Governo, por sua vez, fez a opção pela saída pacífica. Na tarde de ontem, as partes teriam chegado a um acordo e os campesinos começaram a deixar a fazenda. O 6º BPM, no entanto, não soube informar se a retirada havia sido iniciada ontem ou não. Os cerca de 300 agricultores deverão ser alojados numa área improvisada às margens da PR-163, no km 188.
A assessoria da Syngenta informou que a empresa deverá se pronunciar sobre o assunto apenas nos próximos dias, após uma reunião entre diretores da multinacional no Brasil e da matriz, que fica em Basiléia, na Suíça. Entre outras possibilidades, a empresa não descarta encerrar as atividades no Paraná e até mesmo no país. Isso porque se discute em Brasília a possibilidade de reduzir as áreas de testes de OGMs próximas à reservas ambientais dos atuais 10 km para apenas 500 metros, o que inviabilizaria os projetos da Syngenta.
As atividades na fazenda experimental estavam paralisadas desde 14 de março, quando a Via Campesina promoveu a ocupação e rebatizou a propriedade com 12 hectares de ''Terra Livre''. A unidade não sofreu depredação. Em nota, a Syngenta não divulgou os prejuízos mas afirmou que o trabalho realizado atende todas as políticas governamentais e regulamentações aplicáveis e esclareceu que as atividades de pesquisa com sementes de soja e milho geneticamente modificadas, incluindo as áreas de plantio, seguem integralmente a legislação. Por fim, a Syngenta Seeds assegurou que possui a certificação de qualidade em biossegurança para realizar atividades de pesquisa com OGMs na unidade.
A Folha entrou em contato com interlocutores da Via Campesina, em Curitiba, mas até o fechamento desta edição ninguém se pronunciou sobre o assunto.


