Belo Horizonte, 17 (AE) - Cerca de 350 sem-terra ocuparam hoje a fazenda Horto da Liberdade, da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), em Azurita, região metropolitana de Belo Horizionte. Segundo a Polícia Militar, os sem-terra, coordenados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra estavam armados com foices e facões e não houve reação das cerca de 15 pessoas que tomavam conta do local.
Os invasores trancaram a porteira principal com cadeado e montaram barracas de lona no local. A fazenda, de 730 hectares
foi colocada à venda pela RFFSA há mais de três anos, mas até hoje não apareceram compradores. Antes de ser desestatizada, a empresa cultivava eucaliptos na propriedade. A madeira era para a fabricação de dormentes para ferroviais. A Ferrovia Cenrtro Atlântica, que arrendou parte da RFFSA, considerou a propriedade "não operacional".
A liderança dos sem-terra informou que o grupo pretende ficar na fazenda até que ela seja considerada improdutiva e desapropriada para reforma agrária pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A PM enviou um destacamento ao Horto da Liberdade, da vizinha cidade de Mateus Leme, mas não houve confronto. Os policiais informaram que vão permanecer no local De acordo com o comando da corporação, uma operação de retirada dos sem-terra depende de ordem judicial.
O responsável pelo patrimônio da RFFSA, Carlos Alberto Bicalho, disse que a empresa deve requerer a desocupação da fazenda à Justiça assim que forcomunicada oficialmente. "Estamos esperando apenas o boletim de ocorrência policial para tomar as providências cabíveis", disse.
Eldorado - No final da tarde um pequeno grupo de sem-terra fez manifestação na porta do Tribunal de Justiça de Minas, no centro de Belo Horizonte, pedindo a condenação dos policiais responsáveis pelo chamado massacre de Eldorado dos Carajás. Há quatro anos 19-sem-terra foram mortos por policiais militares no Pará.

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