Curitiba- A Fazenda Taquari dos Russos, conhecida popularmente como Fazenda Experimental da Monsanto, em Ponta Grossa, foi desocupada ontem por cerca de 150 policiais militares. Na área, cerca de 50 pessoas permaneciam acampadas desde maio de 2003. De acordo com os proprietários, os sem-terra deixaram para trás um ''rastro de destruição''. Os experimentos com transgênicos que estavam sendo realizados na fazenda teriam sido destruídos. No lugar, os sem-terra teriam plantado alimentos orgânicos e hortas para consumo interno das famílias acampadas.
Os fazendeiros pretendem entrar na Justiça para conseguir indenização do governo do Estado. Os verdadeiros proprietários da área, que arrendaram a fazenda para estudos da Monsanto, pedem cerca de R$ 2 milhões para cobrir os prejuízos com a depredação feita pelos trabalhadores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A viúva Cecília Nadolny contou que o contrato com a Monsanto venceu e, por causa da invasão, o dinheiro do arrendamento não estava sendo repassado. ''Por onde passam, os sem-terra deixam a marca da destruição e levam de tudo. Roubam cercas, arame, fiação. Essa é uma tática do MST para o fazendeiro desanimar'', avaliou ontem Marcos Prochet, presidente da União Democrática Ruralista (UDR).
O fazendeiro Humberto Mano Sá, que presidiu o Primeiro Comando Rural (já extinto), disse que a situação agrária no Paraná é cada vez mais preocupante. ''Vamos começar a assistir um processo gradativo de pedidos de indenizações por causa das ocupações e desocupações que vão doer no bolso do governo do Estado'', analisou Sá.
O presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Marcos Degraf, contou que as famílias que estavam na área se intitulavam como integrantes e fundadoras do Centro Agroecológico de Sementes Crioulas. ''Ali a ocupação foi completamente política. O governo é contra a Monsanto e os transgênicos. A fazenda não cabe para reforma agrária. Os sem-terra não produziram nada. A intenção era mesmo afastar a Monsanto e pregar a agroecologia. Aliás, nenhuma semente foi comercializada por eles'', salientou.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública classificou ontem a desocupação como pacífica.
Enquanto a PM fazia desocupação numa área em Ponta Grossa, outra em São João do Caiuá (35 km de Paranavaí), estava sendo ocupada. Cerca de 100 pessoas do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast) entraram ontem na Fazenda São Fabiano, que tinha sido desocupada há 20 dias.

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