Fazenda com mil famílias de sem-terra é desocupada
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quinta-feira, 02 de setembro de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deixaram ontem a Fazenda Campo Real, em Candói (76 km a oeste de Guarapuava), ocupada por cerca de 1 mil famílias no dia 1º de agosto de 2004. Os sem-terra não conseguiram promessas do governo do Estado ou do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas decidiram sair das terras pacificamente depois de uma conversa entre líderes do MST e representantes da Secretaria de Estado de Segurança Pública.
''Não tinha mais o que fazer. O grupo resolveu sair da área e voltar para seus locais de origem'', disse um dos coordenadores estaduais do MST, José Damasceno. Os trabalhadores rurais sem-terra acampados tentaram resistir a desocupação da fazenda, que tem 6.121 hectares, promovendo invasões em praças de pedágio e fechando rodovias. Entretanto, o governo do Paraná não quis negociar. Os ruralistas providenciaram caminhões e ônibus para a retirada de todas as famílias que estavam acampadas em 370 barracas improvisadas. Elas foram levadas para acampamentos e assentamentos de Clevelândia (43 km a leste de Pato Branco), Nova Prata do Iguaçu (78 km ao norte de Francisco Beltrão), Londrina e Dois Vizinhos (46 km ao norte de Francisco Beltrão).
A desocupação que começou às 8 horas de ontem não tinha horário para acabar. A previsão é que algumas famílias deixassem o local apenas na manhã de hoje por causa do volume de pessoas, barracões e materiais que precisavam ser transportados. Vinte e cinco policiais militares e dois oficiais de Justiça acompanharam a saída dos sem-terra para evitar conflitos. Batedores da Polícia Rodoviária Estadual acompanharam o trajeto dos ônibus e dos caminhões até o destino final com o intuito de evitar novas ocupações de fazendas na região.


