Favorável à criação, Requião debate assunto com ministra
O governador Roberto Requião (PMDB), sabendo do protesto dos ruralistas, transferiu a reunião para discutir a criação das unidades de conservação ambiental para sua residência oficial, na Granja do Canguiri, em Pinhais, na Região Metropolitana. Participaram do encontro o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Ibama) no Paraná, Marino Gonçalves, e o secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida.
O barulho dos representantes do setor produtivo não surtiu efeito. Na reunião, o governo do Estado expôs seu posicionamento favorável à criação das unidades. Mas, de acordo com o deputado Nereu Moura (PMDB), o governador deve aproveitar sua ida a Brasília (DF), hoje, para discutir o assunto com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (PT).
Segundo o deputado, apesar de favorável, Requião acha que o processo para a implantação das áreas de conservação foi malconduzido e faltou principalmente esclarecimentos à população.
Marino Gonçalves disse que o único município onde não houve consulta pública para a implantação das unidades foi Palmas e por decisão do governo municipal. Nos demais, 97% da população teriam aprovado a proposta. Os processos serão encaminhados à ministra que, depois de analisá-los, fará o envio ao presidente para baixar os decretos de criação.
O superintendente do Ibama afirmou que cerca da metade do total de 96 mil hectares que farão parte das unidades de conservação já são áreas de preservação permanente ou de reservas legais. O restante terá que ser desapropriado. ''Os proprietários vão receber o justo valor por suas terras e vão poder continuar produzindo em outras áreas'', afirmou.
''Nós acreditamos que a preservação ambiental é tão importante quanto produção econômica, pois um ambiente bem preservado é, também, mais produtivo'', defendeu o secretário Cheida. Para ele, a alegação do setor produtivo de que os municípios perderão empregos é pautada na falta de informação, já que ele entende que não haverá prejuízo para a economia do Estado. O secretário citou o exemplo de Palmas, onde haveria 5 mil hectares de pinus e 2 mil hectares de soja, que estarão nas unidades, mas continuarão sendo explorados.(A.L.)





