São Paulo, 29 (AE) - As pessoas que queriam assistir à sessão de votação do processo contra o deputado Hanna Garib (suspenso do PPB) começaram a chegar por volta das 16 horas ao prédio da Assembléia Legislativa. Por volta das 19h30, praticamente todos os lugares estavam ocupados. Um dos primeiros a chegar foi o caminhoneiro aposentado Celso Salomão, de 66 anos completados hoje. "Meu presente de aniversário será essa cassação", afirmou. "Penso no bem dos meus netos, tem de haver moralização na política", disse.
No momento que Garib foi convidado a apresentar publicamente sua defesa, Salomão não se conteve: "Cadê esse macho que some quando deveria mostrar a cara?", perguntou referindo-se ao comentário do advogado de Garib feito ontem, após seu indiciamento, quando disse que seu cliente era "macho". O deputado não apareceu. O estudante Roberto frança, de 16 anos, que costuma sair às 20 horas da Assembléia, onde trabalha como office-boy decidiu acompanhar a sessão. "A gente escuta dizer que esse político é ladrão", disse.
O auditor independente João Pereira da Fonseca, de 47 anos, saiu às 17h de seu escritório para acompanhar a sessão de perto. "Quero ver se acabamos com esta pizzaria parlamentar", justificou. "A cassação é o mínimo que os deputados devem para a população", comentou o sociólogo Carlos Jordon, de 49 anos. "Só espero que as investigações prossigam ainda com mais força a partir de agora", ressaltou o professor aposentado Hilmo Alves, de 65 anos, que também apostava na cassação antes do começo da sessão.
A maioria dos eleitores contrários à cassação do deputado concentraram-se em duas fileiras do lado esquerdo do plenário. No entanto, foram poucos os que aceitaram falar sobre os motivos que os levaram a apoiar Garib. Uma das exceções foi o médico Antônio Dias, eleitor do deputado. "Cassação de mandato é medida muito drástica. Não tem nada provado contra ele", afirmou. Dias contou que trabalha em uma região pobre da Brasilândia e Freguesia do à e costuma ouvir que Garib levou benefícios para a região.
Para o artesão Irandi Soares Figueiredo, de 43 anos, amigo do deputado, tudo não passa "de armação política do PT para eleger Marta Suplicy." "Votei nele e voto quantas vezes ele se candidatar", garantiu Figueiredo, que conheceu Garib há mais de 30 anos em um baile na Moóca. O empresário gráfico Silvio Cruso, de 45 anos, que também ajudou a eleger Garib com seu voto garantiu não estar arrependido. "Queria provas que me convencessem de que ele está errado". Clima - A sessão começou com clima morno, com poucas reações por parte da platéia, mas aos poucos foram surgindo manifestações. Vaias discretas após a leitura da defesa de Garib ficaram mais fortes quando um grupo levantou uma faixa onde se lia: "Freguesia do à com Hanna Garib". A resposta veio rápido: três faixas maiores, a favor da cassação, foram levantadas. A votação secreta era acompanhada com palmas e gritos de incentivo, principalmente para deputados do PSDB durante a votação. Quando o nome de Hanna Garib foi anunciado durante a sessão de votos, a platéia gritou alto: "Um, dois, três, Garib no xadrez".

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