Favelização se alastra no Paraná
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quinta-feira, 13 de novembro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de um terço dos municípios paranaenses apresentam pelo menos uma favela em seu território. Os dados estão publicados na Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento foi realizado em 2001, através de consultas às prefeituras dos 5.560 municípios brasileiros.
No total, 140 prefeitos dos 399 municípios paranaenses informaram haver pelo menos uma favela em seus municípios. Apenas um estado informou ter mais cidades enfrentando o mesmo problema de moradia: 165 prefeitos de São Paulo apontaram a existência de favelas em seus municípios. Entretanto, a quantidade de municípios paulistas é significantemente maior do que a dos paranaenses. O estado conta com 645 prefeituras.
Os números do Paraná chamam a atenção por irem na contramão do que ocorre nos demais estados brasileiros. Enquanto em outras localidades o fenômeno da favelização está mais restrito aos grandes centros urbanos, no Paraná a situação se alastrou para os municípios menores.
Segundo o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Luiz Cláudio Romanelli, a falta de investimentos públicos e o empobrecimento geral da população são as principais causas do aumento de sub-moradias nos municípios menores. ''Eu me assustei ao ver os dados repassados pelos prefeitos. Nos últimos oito anos (gestão Jaime Lerner), nem o governo federal nem o estadual investiu na área de moradia. A vinculação da economia com a agricultura não foi suficiente para resolver o problema nas cidades menores. Somente no Interior, temos 40 mil famílias morando em favelas'', destacou. Somando-se o Interior e as regiões metropolitanas, o IBGE apontou um total de 111.200 domicílios em regiões de favela.
O presidente da Cohapar aponta a falta de benefícios para as famílias de baixa renda como a principal causa da favelização. ''Oitenta e um porcento do déficit de habitação se concentram entre aqueles que recebem até 3,5 salários mínimos. A prioridade do nosso governo é dar acesso à moradia, inclusive em parceria com a Caixa Econômica, para quem ganha até dois salários mínimos e hoje não encontra nenhuma possibilidade de financiamento'', disse Romanelli.
Embora as favelas tenham se proliferado por todo o Estado, o problema dos loteamentos clandestinos e irregulares continua restrito às cidades grandes. Segundo os dados do IBGE, são 1.065 lotes irregulares no Estado. Destes, mais de 800 estão localizados na Região Metropolitana de Curitiba, onde moram 136 mil famílias. Em Londrina, são quase 2 mil famílias em ocupações irregulares, onde não há qualquer infra-estrura básica de água, luz ou esgoto.
''Outro ponto crítico de loteamentos irregulares é Foz do Iguaçu. Isso ocorre porque não há um plano diretor para as cidades grandes, que crescem desordenadamente. Em Curitiba, temos o programa 'Direito de Morar', que busca regularizar a situação das pessoas que já estão morando em lotes clandestinos. É a única solução. Tentar relocar essas pessoas é temerário'', afirmou Romanelli. (Colaborou Chiara Papali)


