Rio, 14 (AE) - A Rocinha prepara-se para fazer frente ao aumento do número de turistas na favela com a construção de um posto para recepcionar os visitantes. O local terá estacionamento, loja e serviço de guias. A obra só foi possível com a parceria entre a Secretaria Municipal do Trabalho, a Supergasbrás, que investiu R$ 6 mil, e a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), que cedeu o terreno.
A inauguração do posto está prevista para maio. "Os ônibus de turismo poderão estacionar e, daquele ponto, os visitantes serão levados para o passeio", explica Thelma Santos
agente de Desenvolvimento da secretaria. Os guias são rapazes e moças da comunidade. O tour pelos principais pontos da favela custa R$ 10,00, para grupos de até quatro pessoas, e dura uma hora.
O secretário municipal do Trabalho, André Urani, afirma que o turista não precisa ficar com medo de visitar a Rocinha. "Mas a gente não tem condições de dar garantias", diz. "Nunca me deram quando estive em Nova York e Paris, onde fui assaltado."
Emprego - O lançamento do folheto turístico e a construção do posto são projetos do Núcleo de Turismo do Fórum de Desenvolvimento Econômico da Rocinha. O plano, que tem como principal objetivo criar emprego e renda para a comunidade, é desenvolvido paralelamente ao Favela-Bairro, cujas obras devem começar ainda este ano.
Urani afirmou que o número de turistas na cidade aumentou 20% em relação ao ano passado. "Se continuar assim, será ótimo para o Rio", diz. "Mas temos de assegurar que isso tenha impacto nas comunidades carentes." Para tanto, a secretaria investe em três frentes: educação básica, cursos profissionalizantes e desenvolvimento das potencialidades.
Desde 1998 foram criadas 700 vagas de alfabetização de jovens e adultos, além de 120 para o primeiro grau. Para estimular a formação profissionalizante, a Prefeitura comprou o prédio do Hotel São Conrado Palace, em frente da Rocinha, que será transformado na Universidade do Trabalho. As obras começam em agosto.

mockup