Favela do Vidigal entrega carta de agradecimento
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 1997
Agência Estado Rio 
Quando esteve pela primeira vez no Brasil, em 1980, o papa João Paulo II visitou a favela do Vidigal, em São Conrado, zona sul, uma área então com pouco mais de nove mil habitantes, de frente para o mar, cobiçada por grandes redes hoteleiras. Sofríamos ameaça de despejo, em plena ditadura, época em que os favelados eram removidos e pronto, conta Paulo Roberto Muniz, de 43 anos, ex-presidente da Associação de Moradores do Vidigal.
Em 1977, os moradores do Vidigal receberam ordem de despejo que deveria ser cumprida em 30 dias. Resistiram, com o apoio da incipiente Pastoral das Favelas, comandada pelo já falecido padre Ítalo Coelho. A resistência pacífica dos moradores ampliou o apoio da Igreja Católica e até o cardeal-arcebispo, dom Eugenio Sales entrou na briga.
Dezessete anos se passaram e hoje o Vidigal - com 20 mil habitantes - é exemplo de urbanização de favela, além de ter sido incluída no projeto favela-bairro da prefeitura. Emocionado, Muniz lembra de quando o papa chegou à favela. Reinou um clima de paz, parecia um milagre, as pessoas ficaram emocionadas. A cópia desapareceu do Vidigal em 96. Na cerimônia do ofertório, na missa na catedral da cidade, sábado, a comunidade do Vidigal vai entregar ao Papa uma carta agradecendo a visita anterior e relatando as mudanças na favela.


