Fauna tem 627 espécies ameaçadas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de dezembro de 2002
Maura Campanili<br> Agência Estado 
Belo Horizonte - A nova lista da fauna brasileira ameaçada de extinção foi anunciada ontem, em Belo Horizonte, e traz 638 espécies, das quais 627 são consideradas ameaçadas, duas extintas na natureza e nove extintas. A relação foi elaborada por mais de 200 pesquisadores reunidos, desde segunda-feira, para analisar informações obtidas durante 11 meses de trabalhos e consultas à comunidades científica.
Encomendada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama, a nova lista foi coordenada pela Fundação Biodiversitas em parceria com a Sociedade Brasileira de Zoologia, a Conservation International do Brasil e o Instituto Terra Brasilis. A listagem será entregue ao Ibama, que deverá homologar e publicar no Diário Oficial da União ainda este ano.
A lista de espécies ameaçadas é composta por 69 mamíferos, 153 aves, 20 répteis, 15 anfíbios, 165 peixes, 93 insetos, 21 invertebrados terrestres e 91 invertebrados aquáticos. Entre os extintos, estão duas aves, uma anfíbio, dois insetos e quatro invertebrados terrestres. A ararinha-azul e o mutum são as duas aves consideradas extintas na natureza, ou seja, só podem ser encontradas em cativeiro.
Entre os mamíferos ameaçados estão a preguiça de coleira, o tamanduá bandeira e o mico-leão de cara dourada. Continuam na lista, ainda, o muriqui (o maior primata da América), a Toninha (pequeno golfinho que ocorre no Sul e Sudeste do Brasil) e o peixe-boi marinho.
Entraram na lista, entre os répteis, a jararaca ilhoa, que ocorre na Ilha da Queimada Grande, e a jararaca de Alcatraz, ambas de São Paulo. Entre os anfíbios, entraram duas espécies de sapo (Odontophrynys moratoi e Holoaden bradei) e a perereca de folhagem. Na relação de peixes ameaçados, os destaques são o peixe-serra - hoje limitado aos Estados do Amapá e Maranhão -, o mero - um dos maiores peixes existentes -, e o cavalo-marinho.
Segundo o presidente do Ibama, porém, há também boas notícias, como a saída da lista de espécies como a harpia (a maior ave de rapina brasileira), a surucucu-bico-de-jaca e o pirarucu. ''O ordenamento da pesca no Amazonas tem permitido a recuperação do pirarucu, mostrando a importância do manejo para a preservação das espécies''. Outra espécie que saiu da relação foi o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris).


