Fauna de peixes do Tibagi é muito rica
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de junho de 1997
Lúcio Horta 
Londrina
Milton DóriaVida aquáticaOs biólogos Tom Grando, Gislaine Grando e Almir Barreto, com pescador do Tibagi: estudo sobre peixes - O Tibagi é um dos rios que melhor representam a fauna de peixes da bacia do Paraná.
A afirmação é do biólogo Tom Grando, do curso de pós-graduação de Zoologia da Universidade Federal do Paraná (UF-PR). Ele e outros dois biólogos, Gislaine Grando - também da UFPR - e Almir Barreto, estão há dois meses às margem do rio Tibagi, na fazenda Doralice, trabalhando num levantamento para saber qual o valor do rio em relação às espécies que o habitam.
Por enquanto, o trabalho já detectou mais de 50 espécies diferentes de peixes, tanto de pequeno porte como espécies maiores, como o curimba, pintado, curimbatá, piapara e o dourado, entre outras, todos de grande valor econômico. Quem observa o Tibagi e vê essa margem toda desmatada pode achar que o rio não vale mais nada. Mas acontece exatamente o contrário: aqui tem muita pesca. Já trabalhamos em muitos lugares do Brasil e não vi tanta atividade de pesca, tanta gente que vive do rio. Isso é muito importante, conta.
O trabalho dos pesquisadores é basicamente capturar, identificar e depois soltar os peixes novamente na água. Para isso eles utilizam armadilhas, redes de espera, espinhéis, tarrafas, puçás, peneiras e até linha de mão, para os peixes menores. Trabalhamos dia e noite, porque algumas espécies não têm atividade durante o dia, explica.
Arquivo particularLevantamentoPesquisador Almir Barreto mostra o pintado no rio Tibagi: região tem grande diversidade de espécies
Além da grande variedade de peixes que habitam o rio Tibagi, os pesquisadores estão também entusiamados com a presença de algumas espécies desconhecidas na região. É o caso do surubim dourado, por exemplo, e do gambeba (pariolius SP) - um espécie de bagre pequeno. Tem peixes de cinco centímetros até quase um metro. E a tendência é o número de espécies aumentar ainda mais no decorrer do trabalho, acredita, lembrando que o outono não é a melhor época para pesquisas, já que a pesca dimuinui muito nesse período.
Para Tom Grando, a construção das barragens de Jataizinho e Cebolão ameaça a diversidade das espécies no Tibagi. Ele lembra que nas proximidades da usina de Capivara, por exemplo, que fica a menos de cinco quilômetros de Jataizinho e formada no mesmo rio, o número de espécies encontrados é muito menor. Não se sabe direito o que acontece com as espécies quando se forma uma barragem, mas com certeza ela modifica o ambiente dos peixes. Alguns se adaptam, mas outros não, observa.
Um dos problemas mais importantes para fauna aquática de um rio com barragem é o fim das corredeiras. Com isso, observa Grando, diminui a oxigenação e a depuração das águas. O princípio é básico: todos sabem que no mato, por exemplo, a água que corre é mais saudável que a água parada.
A questão do prejuízo para a fauna aquática é levantada também pelo professor Oscar Shibatta, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da UEL e membro do projeto Tibagi. Com certeza os peixes seriam os mais afetados, porque a barragem acabaria com o ecossistema dos peixes.
Shibata explica também o lago iria impossibilitar a migração de peixes dentro do próprio rio. A migração acontece porque os peixes costumam buscar alimentos nas áreas mais baixas, próximas às encostas. Mas eles procuram as partes mais altas do rio para reprodução, no movimento conhecido como piracema. Isso acontece com o curimba e o dourado, por exemplo, que são espécies comerciais. Já com a represa vira tudo um lagão, critica.
O professor também descarta a utilização de escadas para que os peixes possam fazer a piracema, frequentemente apontadas como solução para o problema das barragens. Isso é muito contestado, faltam ainda estudos de viabilidade, sentencia. Para ele, a diminuição de espécies consequentes da usina é irreversível.
(Lúcio Horta)


