São Paulo, 30 (AE) - O faturamento real do comércio varejista da região metropolitana de São Paulo cresceu 3,4% em maio em relação a abril, no conceito dessazonalizado; sem os ajustes sazonais (movimentos fortes de vendas ocorridos geralmente em datas comemorativas, como o Dia das Mães), o crescimento foi maior, de 8,26%. Os indicadores são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada e divulgada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), em parceria com a AGÊNCIA ESTADO.
No acumulado do ano, a pesquisa revela que o faturamento no comércio geral encontra-se 0,91% abaixo do observado em igual período de 1998. O aumento de 3,4% no mês foi resultado da alta registrada nos setores de bens duráveis (9,79%); semiduráveis (7 69%); não duráveis (4,67%); e de materiais de construção (3 84%).
O comércio automotivo foi o único segmento que apresentou queda no faturamento, de 12,10%. Segundo estimativas da economista da FCESP, Rosana Curzel, o desempenho do comércio no primeiro semestre do ano registrará queda de até 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado, que já tinha apresentado taxa negativa de 2,6% ante 1997.
Para Rosana Curzel, o crescimento observado em maio está relacionado, de alguma forma, ao aumento da demanda, reprimida no início do ano em razão da desvalorização do real. Segundo a economista, ainda não há possibilidade de esperar uma recuperação forte das vendas se as perspectivas de aumento da renda futura dos consumidores não são muito animadoras.
Ela cita pesquisa do IBGE que informa que o rendimento médio real do pessoal ocupado caiu -0,6%, em relação a março, e apresentou queda de 4,1% ante abril do ano passado. "Para que as pessoas voltem a consumir, é preciso que a renda cresça", disse Rosana.
Outro fator que impossibilita o aumento do consumo, na avaliação da economista da FCESP, é o grau de endividamento e inadimplência. "De acordo com o Indicador de Inadimplência e Endividamento da população paulistana, cerca de 55% dos entrevistados estão endividados com consumo corrente, tais como água, luz, telefone e aluguel.
Em maio de 98, essa proporção era de 44%", ressaltou. Também nesse período, as pessoas que não cumpriram com suas obrigações - em relação ao total de endividados - somavam 38% da amostra. Em maio deste ano, o total subiu para 52%, registrando um aumento de 36,8%.
Rosana Curzel informou, no entanto, que o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) está aumentando. O ICC, que mede as impressões da população quanto à situação econômica atual e as expectativas em relação à condução da política econômica implementada pelo governo, registrou crescimento de 19,23% em junho em relação a maio.
Os índices de expectativas do consumidor e de condições econômicas atuais (que compõem o ICC) cresceram, no período, 18 36% e 21,75%, respectivamente.
Faturamento por setor No acumulado do ano até maio, o setor automotivo é o que registrou a maior queda (-34,18%) em relação a igual período do ano passado. Nessa época, o setor acumulava redução de 32,45%. Dentre os subgrupos - concessionárias de veículos e autopeças - as concessionárias sofreram a maior redução (38,28%) no acumulado até maio.
De janeiro de 1990 até junho de 94 - anterior ao início do Plano Real - elas apresentaram uma taxa de 0,18% ao mês, ou 2 24% ao ano. No entanto, desde julho de 1994, quando começou a vigorar o Plano Real, o setor apresentou queda de 1,55% ao mês, ou seja, uma queda de 17,13% ao ano. O setor de bens duráveis de consumo - composto pelas Lojas de Departamentos, Lojas de Utilidades Domésticas, Cine-foto-som e àticas, e Móveis e Decorações) - faturou 23,03% mais em maio em relação a abril. Porém, quando dessazonalizado, o aumento foi de 9,79%; em comparação com o mesmo período de 98, a queda é de 13 56%, com um resultado acumulado no ano de -8,09%. No caso dos bens semiduráveis - composto pelo subgrupo Vestuário
Tecidos e Calçados - a queda acumulada no ano foi de 10%, com crescimento de 30,73% no faturamento real, em relação a abril, mas com queda de 9,3% em relação a maio do ano passado. A taxa positiva em maio deste ano, segundo Rosana Curzel, pode ser consequência de um inverno um pouco mais rigoroso. Já o setor de bens não duráveis de consumo registrou crescimento de 64,16%, quando comparado o índice de faturamento real entre julho de 94 e maio deste ano. "A estabilidade da moeda proporcionou um aumento no consumo desses bens, com absorção de uma camada excluída da sociedade.
Além disso, o setor supermercadista aproveitou para mudar o mix de produtos, aumentar os investimentos, além de expandir o horário de funcionamento das lojas", avaliou Rosana Curzel.

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