Faturamento real do comércio aumentou 4,85% em maio
São Paulo, 17 (AE) - Os dados preliminares sobre o desempenho do comércio varejista da região metropolitana de São Paulo em maio mostram uma retomada do movimento de vendas que vem desde abril. Segundo a prévia da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), o faturamento do setor aumentou 9,78% em relação a abril e 4,85%, com ajuste sazonal.
Excluídas as concessionárias de veículos, o comércio teve crescimento de 5,46% no faturamento real dessazonalizado. Esse resultado foi alcançado a partir dos aumentos de 10,89% para os bens duráveis, de 3,28%, para os semiduráveis, de 4,77% para os não duráveis e de 5,9% para os materiais de construção.
A única exceção entre os segmentos do varejo foi o comércio automotivo, que teve queda de 5,7% no faturamento real dessazonalizado, com destaque para a redução de 7,10% no subgrupo das concessionárias de veículos.
Para a FCESP, essa performance já era esperada, uma vez que os acordos do setor com o governo foram interrompidos nesse mês. Como mostrou o resultado de março da pesquisa (47%), o acordo automotivo exerceu influência positiva no movimento das vendas do setor. Já os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Anfavea) para maio, mostraram uma queda de 8% nas vendas, de acordo com a Federação.
De acordo com a FCESP, o desempenho acumulado no ano é de 4,24% ante o mesmo período do ano passado. A entidade explica que essa retomada do movimento de vendas é justificada pela tendência do faturamento real (com ajuste sazonal) desde a crise russa, em agosto de 98.
Desde esse período, até março deste ano, o faturamento registrava uma taxa anual negativa em quase 5% e quando foram incluídos os dados referentes a abril, a taxa passou a ser positiva em aproximadamente 2%, agora confirmada pelos 8% apurados em maio.
Os dados de produção industrial do IBGE mostram um padrão de estabilidade nos últimos meses, podendo significar o início de uma recuperação, na opinião dos técnicos da Federação. Mas esse princípio de reação deve ser visto com cautela, uma vez que a renda disponível da população não aumentou. Ao contrário, a massa real de salários teve uma queda de 5% até março, em relação ao mesmo período de 98, segundo o IBGE.
A FCESP também atribui essa recuperação à possibilidade de ter havido uma prorrogação da demanda prevista para o início do ano, frustrada pela desvalorização do câmbio, tendo sido transferida para os meses de abril e maio. Essa teoria também é sustentada pela mudança na credibilidade do consumidor em relação às condições econômicas, medida pela pesquisa do Índice de Confiança do Consumidor, calculado pela entidade, que teve crescimento de 9,85% em maio.
Para o primeiro semestre deste ano, a Federação espera um aumento de 4% no faturamento do comércio, ao contrário do desempenho registrado no mesmo período do ano passado, de -3%.





