São Paulo, 14 (AE) - O comportamento do faturamento do comércio varejista da região metropolitana de São Paulo manteve-se estável entre janeiro de 1998 e março deste ano, com variação de apenas 0,56% em termos reais. Mas se examinado em um período mais curto, de agosto de 98 a março deste ano, a oscilação foi maior, e para baixo: queda de 3,9%.
Essa diferença de comportamento tem duas razões, segundo informa a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista, elaborada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP). Primeiro, a elevação das taxas de juros, em meados do ano passado, saltando de 19% para 34% ao ano, medida adotada pela equipe econômica do governo federal como resposta à crise russa. Segundo, pela desvalorização do câmbio ocorrida no início de 99. Os setores que têm sustentado a estabilidade são os de bens duráveis e não duráveis, de lojas de departamentos e dos supermercados.
O resultado do primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 1998 foi caracterizado por uma queda de 32 04% no faturamento do setor automotivo, ante uma queda de 30% observada na comparação entre o primeiro trimestre de 1998 e o mesmo período de 1997. O segmento de materiais de construção também registrou uma queda no faturamento, de 14,63%, no primeiro trimestre de 99 na comparação com o mesmo período de 98.
O crescimento de 31,5% do faturamento real do comércio automotivo, ajustado sazonalmente, em março, ante uma queda de 38,6% em fevereiro, foi, segundo mostra a pesquisa da FCESP, devido aos acordos sobre a redução dos impostos (IPI e ICMS) firmados entre as montadoras e os governos federal e estadual, que contribuíram para uma leve recuperação nas vendas. No entanto, avalia a pesquisa, não existem sinais de recuperação duradoura, uma vez que a tendência tem sido de queda desde, pelo menos, o estopim da crise asiática.
O resultado preliminar de março para o varejo, com crescimento de 0,79%, ajustado sazonalmente, deve-se ao comportamento do setor automotivo. Quando são excluídas as concessionárias de veículos, o comércio apresenta redução de 0 6%. Portanto, diz a pesquisa da FCESP, trata-se de um resultado pontual e, após o término dos acordos entre governo e montadoras
pode haver uma intensificação no declínio das vendas para os próximos meses, exceto se eventuais mudanças na confiança dos agentes econômicos reflita na economia do País.

mockup