São Paulo, 26 (AE) - As confecções têxteis brasileiras devem encerrar o ano com queda de 5% no faturamento em relação a 1998, o que representará uma movimentação de US$ 21,8 bilhões. A produção entretanto pode crescer em torno de 3% e superar os 4,1 bilhões de peças do ano passado. Segundo o presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, as confecções ampliaram a produção de artigos de menor valor e reduzir a margem de lucro. "O jeito foi investir em produtos mais populares porque o consumidor não tem dinheiro para comprar", disse Chadad, na abertura da 39ª Feira Internacional de Tecelagem, a Fenatec Outono/Inverno, no Museu de Tecnologia de São Paulo, que acontece até sexta-feira (29).
Chadad explicou que os preços estão defasados porque o setor não conseguiu repassar o aumento dos tecidos sintéticos e artificiais, ocorridos em função da desvalorização cambial. Ele avalia que os preços devem fechar 1999 entre 5% e 8% mais baixos que em 1998.
O presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, disse hoje, na 39ª Fenatec, que os aumentos dos tecidos sintéticos e artificiais, em função da desvalorização cambial e dos preços do petróleo, acabaram fortalecendo o setor de malharia brasileiro. Há 10 anos, os tecidos sintéticos representavam cerca de 60% das peças produzidas no País e 40% eram tecidos de malha de algodão. Hoje esta proporção está invertida: a maioria das roupas são de algodão, cujo custo é bem menor. "Os sintéticos estão restritos à peças de moda para quem ter maior poder aquisitivo", explicou.
Chadad afirmou que os aumentos dos filamentos derivados do petróleo passam por toda cadeia produtiva e acabam sendo absorvidos pelo setor de confecções, que não tem como repassar os reajustes. Segundo ele, a nafta já subiu 93% desde o início do ano e as tecelagens repassaram aproximadamente 60% destes aumentos. "O problema sempre estoura na gente", queixou-se. Chadad afirmou ter advertido as tecelagens que orientará as confecções a dar preferência às malhas, como forma de escapar dos aumentos.
O presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, afirmou hoje que o setor espera ter 300 cooperativas de confecções destinadas à exportação até 2001. "Precisamos chegar a este número para colaborar com a meta brasileira de superávit de US$ 1 bilhão na balança comercial", afirmou. Segundo ele, 16 cooperativas estão montadas e quatro já obtiveram autorização para operar.
A expectativa dos organizadores é de que 10 mil pessoas passem pela feira, no Museu de Tecnologia de São Paulo, até o próximo dia 29, onde 50 empresas estão apresentando os tecidos da coleção outono-inverno 2000. O volume de negócios estimado é o equivalente a aproximadamente dois meses de produção.

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