Faturamento da Perdigão cresce 113%
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domingo, 09 de maio de 1999
Por Rosangela Capozzoli 
São Paulo, 10 (AE) - A Perdigão obteve um faturamento bruto de R$ 318,6 milhões no ano passado, o que significa um crescimento na ordem de 113% sob o ano anterior. A estimativa para este ano, segundo Nildemar Sacches, presidente da companhia
é atingir R$ 409,9 milhões. O lucro bruto, explica, aumentou 25 6% (R$ 72 milhões). Já o resultado líquido, cresceu 4,7%, chegando a R$ 13,3 milhões.
A Perdigão, segunda maior produtora integrada de aves e suínos do Brasil, processou no ano passado, 178,6 milhões de toneladas de carne, 3% a mais que no ano anterior. Para este ano
Sacches estima um volume de 181,5 milhões de toneladas, uma variação de 1,6%.
Do total processado, 48,8 milhões toneladas foram no setor de bovinos, sendo 53 milhões de toneladas de aves e mais 76,8 milhões de toneladas de suínos. A Perdigão projeta para 1999 crescimento de 0,8% no segmento de bovinos e 4,2% no setor de aves. Para o segmento de suínos a perspectiva é crescer mais 1,4%.
A Perdigão destinou, ao longo de quatro anos, mais de R$ 300 milhões em tecnologia e aumento de produtividade das 11 fábricas localizadas no Sul do País. Os investimentos garantiram um crescimento médio anual da capacidade produtiva de 12% desde 1995.
Consumo - O presidente da Perdigão disse também que o consumo per capita no Brasil vem crescendo. No ano passado o crescimento no setor de bovimos foi de 4,8%. Suínos aumentou 5 6% e aves 0,8%. No total houve um aumento no consumo de 1,5%.
O volume dos produtos elaborados e processados, comercializados no mercado interno, cresceu 13,4% no período enquanto as exportações aumentaram 17,7% em relação ao mesmo trimestre de 1998.
Exportações - Sacches projeta para este ano, um crescimento no volume de exportação de 20% ante as 163,3 mil toneladas colocadas no mercado externo em 98. A cifra obtida no ano passado atingiu US$ 260 milhões, devendo saltar para US$ 300 milhões em 99.
Ele disse ainda que neste trimestre as vendas, no total aumentaram 8,7%. "As vendas no mercado externo cresceram 17,7% neste período sobre o anterior, enquanto o consumo no mercado interno ficou 3,9% acima se comparado aos primeiros três meses do ano passado", afirma.
Investimentos - A Perdigão investirá R$ 153 milhões neste ano, a maior parte direcionada ao complexo agroindustrial em construção na cidade Rio Verde (GO). Segundo o presidente da empresa, para atender as necessidades de produção dessa fábrica, a Perdigão firmou parcerias com a Diplomata Industrial e Comercial Ltda, do Paraná, que fará o abate e processamento de 1.300 toneladas/mês de aves, e com a Bertol SA, de Passo Fundo (RS), que se responsabilizará pelo esmagamento de 10 mil toneladas/mês de soja para suprir a necessidade de farelo para a ração animal.
Ele informou ainda que entre 1995 e o ano 2000 a Perdigão totalizará investimentos da ordem de 782 milhões de reais. Deste total 400 milhões de reais serão destinados ao projeto Buriti (Rio Verde), que teve início em 1997 e já consumiu 120 milhões de reais até o final do ano passado. Segundo Sacches R$ 272 milhões serão aplicados em projeto de otimização da Perdigão e outros R$ 110 milhões, destinados a novos projetos.
Segundo Sacches os resultados expressivos da empresa têm se mantido em funcão de uma estratégia mercadológica expressiva. "O consumidor já dispõe de mais de 300 produtos com a marca. Nossa oferta também diversifica-se ainda mais, ao lado dos embutidos tradicionais", afirma.
Em 1998, o patrimônio líquido da empresa creceu 19% enquanto o resultado líquido ficou 49% acima. A remuneração aos acionistas, segundo dados da empresa, cresceu 21%.
Balanço - O faturamento líquido da empresa foi de R$ 360 6 milhões, 28,2% superior a igual período de 1998. O lucro operacional apresentou um crescimento expressivo de 240,5% (R$ 56,5 milhões), representando 15,7% da receita líquida. As despesas financeiras, afetadas pela desvalorização, atingiram R$ 74,4 milhões, o que foi determinante para uma margem líquida negativa de 1,6%, resultando num prejuízo de R$ 5,7 milhões no período.
O resultado reflete os impactos da desvalorização cambial e demonstra um excelente desempenho das vendas nos mercados interno e externo, o que permitiu a empresa assumir, em um único trimestre, todo o incremento do seu endividamento financeiro em moeda estrangeira.


