Belo Horizonte, 09 (AE) - A indústria mineira registrou um aumento de 2,01% em seu faturamento no primeiro mês do ano. Este foi o único indicador econômico com variação positiva em janeiro do segmento industrial de Minas, justificado pelo bom desempenho das indústrias exportadoras, que tiveram grandes benefícios com a desvalorização cambial.
"Foi um crescimento artificial, não representou um aumento da atividade", explica o presidente do Conselho de Política Econômica e Social da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Gonçalves Fernandes.
O segmento de extração mineral contribuiu com uma variação positiva em seu faturamento de cerca de 20,76% neste período. No comparativo do primeiro mês de 1999 com o mesmo período do ano passado a indústria mineira ainda registra retração em seu faturamento, com uma queda de 9,01%.
As horas trabalhadas no setor caíram 3,62% em janeiro frente a dezembro do ano passado. A retração em comparação com janeiro de 1998 é de 15,39%. O nível de emprego também caiu 1 10% no primeiro mês deste ano. Em comparação com o mesmo período do ano passado a retração neste item já acumula queda de 12 46%.
A massa salarial acompanhou a queda no emprego, reduzindo 7,18% em janeiro, ou 13,73% na comparação com janeiro de 1998. A utilização da capacidade instalada também foi menor em janeiro, registrando chegando a um patamar de utilização de 78,71%, contra 78,82% em dezembro do ano passado.
Segundo Lincoln Gonçalves Fernandes, o setor exportador deve registrar ganhos de faturamento pelos próximos três meses, ainda sob reflexo da desvalorização cambial.
Moratória - Em relação a perspectiva anual do segmento, no entanto, o quadro ainda é recessivo, acompanhado as projeções do governo federal de uma retração do PIB de cerca de 4%. "O cenário nacional é complexo e temos ainda uma situação crítica em Minas", salienta o executivo.
Por situação crítica leia-se o embate entre o governador Itamar Franco e o presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o industrial os investimentos em Minas já estão parando e ainda existe o risco de desinvestimentos, caso o embate entre o governador e o presidente persista por mais tempo. "Uma possível prorrogação da moratória pode levar uma série de indústrias do Estado a quebrar", reclama.
Além da prorrogação da moratória, a possibilidade de revisão dos acordos de incentivos fiscais às empresas instaladas no Estado preocupa o representante da Fiemg. Esta revisão já foi aventada pela equipe econômica do governador Itamar Franco.
A pesquisa sobre indicadores econômicos da Fiemg aponta que os empresários entrevistados esperam que ocorra um aumento nas vendas do setor neste mês de setembro, a despeito dos cenários macroeconômicos.
Dos entrevistados, 51,67% esperam crescimento das vendas
31,99% esperam uma estabilidade e 16,14% acreditam em retração no faturamento.

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