Fassino e Tápias assinam carta de intenções para promover cooperação14/Mar, 22:06 Por Cláudia Dianni Brasília, 14 (AE) - O ministro de Comércio Exterior da Itália, Piero Fassino, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, assinaram hoje uma carta de intenções para promover a cooperação entre as agências de promoção do comércio dos dois países. Segundo Fassino, serão criadas as condições para elevar a corrente comercial entre os dois países, atualmente de cerca de US$ 5 bilhões, e definidos os setores em que serão concentrados esforços para facilirar as exportações de produtos brasileiros e italianos. Segundo ele, a Itália tem interesse não só em participar do processo de privatização no Brasil, principalmente nos setores de energia, autoestradas e financeiro, como no processo de modernização de infraestrutura, que inclui investimentos em telecomunicações e aeroportos, por exemplo. "Vamos favorecer a interação entre as micro e pequenas empresas, que é um aspecto particularmente positivo da economia italiana", disse o ministro. Segundo ele, 95% das empresas italianas têm menos de 200 funcionários e, das 180 mil empresas exportadoras, 98% têm menos de 200 empregados e 80%, menos de 50. Além disso, essas empresas são responsáveis por 35% das exportações italianas, em valor. No Brasil, de acordo com dados da Câmera de Comércio Exterior (Camex), há apenas quatro mil empresas que exportam permanentemene, das quais somente 400 respondem por 80% do volume de exportações. De acordo com Fassino, as prioridades já foram acertadas entre os dois governo e falta estabelecer como e quando as ações serão iniciadas. No mês que vem, uma equipe de técnicos do Ministério do Desenvolvimento viaja à Itália para apresentar o programa Brasil Empreendedor, de incentivo a micro e pequena empresa. Esse mesmo grupo vai visitar os distritos industriais italianos, que concentram cadeias produtivas na mesma região. No fim do mês, uma missão de empresários brasileiros chega à Itália e em junho o ministro Tápias também fará uma vista oficial a esse país. O acordo de cooperação entre as agências de promoção de exportação prevê o intercâmbio entre o Sebrae e a Simest, homóloga do Sebrae na Itália, e da Agência de Promoção de Exportações (Apex), e o Instituto de Comércio Exeterior (ICE) italiano. "A Simest tem um programa de treinamento de gerentes de consórcios para exportação que nos interessa", disse a diretora-executiva da Apex, Dorothéa Werneck. "A Itália é um modelo de capacidade de exportação e tecnologia, como por exemplo em marketing e design", disse o secretário-executivo da Câmera de Comércio Exterior (Camex), Roberto Gianetti da Fonseca. O objetivo do governo é direcionar o desenvolvimento econômico do Brasil ao modelo italiano, fortalecendo as exportações e as micro e pequenas empresas, como na Itália. O estágio de desenvolvimento da economia brasileira, de acordo com diplomatas italianos, é semelhante ao cenário econômico italiano de 30 anos atrás. Atualmente o Brasil está desenvolvendo os mesmos setores que amadureceram na Itália no passado,como o automobilístico, alimentício, calçadista e têxtil, por exemplo. Como o Brasil está deixando de ser um país cuja pauta de exportação está baseada em matéria-prima e está aumentando as exportações de produtos industrializados, há oportunidades para os italianos venderem maquinário e tecnologia, como máquinas-ferramentas para trabalhar madeira e metais, equipamentos para fundição, máquinas para embalagem, máquinas têxteis e para trabalhar papel e plástico, de acordo com a ICE. "Primeiro a Itália exportou gente, depois produtos e agora está exportando empresas e tecnologia", disse Fassino. Além de encontrar-se com vários ministros e empresários, com quem foi lançada a idéia de criar um conselho empresarial de negócios Brasil-Itália, Fassino esteve com o presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem conversou sobre cooperação universitária, para trasferir tecnologia. "A participação nas privatrizações é uma forma de transferir tecnologia", disse. Com os ministros, Fassino também falou sobre formas de facilitar joint-ventures entre empresas brasileiras e italianas e sobre cooperação para desenvolver o turismo no Brasil.

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