Porto Alegre, 24 (AE) - A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) pediu hoje ao ministro da Agricultura
Marcus Vinicius Pratini de Moraes, a implementação de um programa de irrigação nas propriedades nas regiões mais afetadas pela seca. O presidente da entidade, Carlos Sperotto, reeleito para um novo mandato de três anos, quer a formação de um grupo de trabalho para o desenvolvimento do projeto, envolvendo o Ministério e todas as entidades ligadas ao setor no Estado.
Sperotto fez um relato ao ministro sobre as consequências da estiagem, iniciada em novembro. O levantamento elaborado nas duas últimas semanas pelos sindicatos rurais filiados à Farsul não apresentou, porém, estimativas de quebra da produção nem dos recursos necessários para o socorro aos produtores.
"Isto deverá ser levantado pelo grupo de trabalho", disse o dirigente. De acordo com ele, as perdas das lavouras não são concentradas, mas chegam a até 100% em algumas localidades. A Emater-RS, vinculada à Secretaria da Agricultura do Estado, estima a quebra em 1,4 milhão de toneladas de soja, milho e feijão.
O presidente da Farsul pediu ainda que as medidas de apoio do Ministério aos pequenos produtores atingidos pela seca sejam estendidas para as "áreas mais significativas". Ele propôs o alongamento dos prazos para pagamento dos financiamentos dentro da "capacidade de pagamento" desses produtores, para evitar a sobreposição com outros compromissos. "Não adianta varrer a sujeira para baixo do tapete."
Quanto à Cédula do Produtor Rural (CPR) com liquidação financeira lançada com o Programa Brasil Empreendedor Rural, Sperotto disse que o mecanismo fica "prejudicado" pelo endividamento dos agricultores. Segundo ele, a situação deve ser resolvida definitivamente para que os produtores tenham acesso à CPR. O dirigente também pediu ao ministro que o governo "discipline" o ingresso de arroz do Mercosul no País e garanta a aplicação dos mecanismos de comercialização - opções, EGF e CPR - para sustentar os preços do produto.

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