Farsul e governo do RS trocam farpas na Expointer
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Sérgio Bueno 
Esteio (RS), 3 (AE) - A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e o governo do estado trocaram farpas hoje na abertura oficial da Expointer 99. As críticas lançadas pelo presidente da entidade, Carlos Sperotto, e respondidas pelo secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, e depois pelo governador Olívio Dutra (PT) abalaram o clima de cordialidade que havia se seguido ao acordo firmado entre as partes para evitar o boicote da Farsul à exposição.
"Sopram ventos no Rio Grande do Sul; alguns dizem que vêm do norte, outros do outro lado da cordilheira, outros do Caribe", disse Sperotto em seu discurso, numa alusão a supostas identidades ideológicas entre o governo petista e o regime cubano. "Nos preocupa o não acatar das decisões do Poder Judiciário", acrescentou o presidente da Farsul.
Neste caso, ele referiu-se às negociações feitas pelo governo para cumprir sem o uso da força o mandado de reintegração de posse da Fazenda Capivara, em Hulha Negra, invadida pelo MST dia 12 de agosto e desocupada uma semana e meia depois.
As declarações de Sperotto provocaram a reação do próprio governador. "Os ventos que devem soprar no Rio Grande do Sul não devem vir só de uma única direção", afirmou, respondendo às insinuações do presidente da Farsul com uma referência ao livro "Rodeio dos Ventos", do escritor gaúcho Barbosa Lessa. "Todos os ventos, principalmente os que se transformam em brisa, são bem-vindos e ajudarão a criar um clima de desenvolvimento e afirmação solidária", disse Olívio.
O secretário da Agricultura afirmou que o governo construiu uma "Expointer livre, democrática e não-excludente", acima de "interesses particulares de pequenos grupos que nem sempre se referenciam dos interesses maiores do estado".
Ele declarou que as divergências são "salutares", mas também que elas se resolvem mais facilmente "quando não se pretende subjugar os interesses maiores do Rio Grande aos grupos que querem perpetuar o atraso".
Hoffmann lembrou ainda que, pela primeira, vez a Expointer abriu espaço para os pequenos produtores e trabalhadores rurais. Ele destacou a presença da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), do Departamento Rural da CUT, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Cooperativa Central dos Assentamentos.
Apesar do mal-estar provocado pela troca de críticas e acusações, coube ao governador, em seu discurso, conciliar interesses de pequenos e grandes produtores. "Queremos o fortalecimento da produção, sem ligar para o tamanho da propriedade ou porte do produtor", afirmou. De acordo com ele, existem regiões do estado com vocação para as grandes propriedades e outras com base na pequena produção de economia familiar.
Mesmo assim, Olívio não se esqueceu de reafirmar o compromisso do governo com os "pequenos, que têm mais dificuldades de acesso ao financiamento, às novas tecnologias, às técnicas de recuperação do solo, de apoio gerencial e de alternativas de comercialização".
Ele defendeu a integração entre a política agrícola e a reforma agrária, "uma medida econômica necessária para o desenvolvimento do País e não um mote para confrontos entre fazendeiros e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra)".


