Porto Alegre, 20 (AE) - A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) pedirá intervenção federal no Estado caso o governo gaúcho não impeça o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de iniciar a onda de ocupações anunciada sexta-feira (17). A entidade defende a ação do Exército para expulsar eventuais invasores das propriedades, "como já ocorreu (em novembro) na fazenda do presidente da República (Córrego da Ponte, em Buritis - MG)", disse o presidente da entidade Carlos Sperotto. "Queremos tratamento isonômico".
Sperotto disse que os proprietários rurais ficaram "estarrecidos" com o anúncio das invasões em um encontro "aberto e encerrado" com a presença de representantes do governo do Estado. "Este caminho só leva ao conflito", afirmou. Ao final do 17º Encontro Estadual, em São Leopoldo, o MST revelou que ocupará fazendas que cultivem plantas transgênicas e propriedades improdutivas com mais de 500 hectares em todo o Rio Grande do Sul para pressionar pela aceleração da reforma agrária.
Conforme o dirigente, a Farsul ingressará com ação de interdito proibitório em nome de todas as áreas com mais de 500 hectares na Justiça estadual como "proteção" contra as invasões. Segundo ele, a medida não cabe para as propriedades que plantam transgênicos por se tratar de cultura ilegal. Com uma medida cautelar dessa natureza o proprietário de uma fazenda invadida pode exigir a desocupação imediata, sem recorrer a uma ação de reintegração de posse ou apelar para a intervenção federal caso a oedem não seja acatada pela polícia estadual, explicou Sperotto.

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