Farmácias passam a vender alimentos
Ana Carolina Sacoman
De Maringá
Especial para a Folha
Abrir um espaço para alimentos como bolachas, chocolates, leite e refrigerantes é o diferencial que algumas farmácias de Maringá encontraram para tentar atrair o consumidor diante da grande concorrência, sem esperar por lucro imediato. Existem na cidade cerca de 150 farmácias, uma média de uma para 1,8 mil habitantes. O recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de uma para cada 8 mil pessoas.
O gerente comercial da primeira farmácia a apostar na diversificação, João Batista Luz, montou uma espécie de loja de conveniência em seu estabelecimento, que funciona 24 horas. O novo negócio representa apenas 2% das vendas e, segundo Luz, não dá lucro.
Este comércio é mais um diferencial para o consumidor do que alternativa lucrativa. Somos prestadores de serviço. Estamos perto de hotéis e essa clientela sempre precisa de um produto durante a madrugada, podendo encontrar aqui.
A venda de não-medicamentos em farmácias, de acordo com a resolução estadual nº 54/96, é proibida. Atualmente, os locais funcionam sob liminar da Justiça, que está sendo questionada pela prefeitura. A prática também é desaprovada pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF). Segundo o presidente do conselho, seccional Maringá, Ricardo Yamamoto, o comércio é um contra-senso.
A farmácia deve primar pela saúde da população, diferentemente do supermercado, que é o local onde se vende produtos de primeira necessidade e alimentos, opina. Deve-se definir a área de atuação. O estabelecimento farmacêutico fica com a saúde e o mercado com a alimentação. O conselho é radicalmente contra a prática atual.
A principal preocupação da Vigilância Sanitária na questão é com a possibilidade de contaminação dos alimentos por alguma doença, de acordo com o procurador-geral do município, Otávio Salvadori. Esses produtos são passíveis de contaminação por pessoas deontes que frequentam farmácias e podem transmitir alguns vírus pelo ar, diz.
Salvadori afirma que a preocupação não é com a venda de alimentos associados a remédios e sim com a exposição dos produtos em locais considerados inadequados. Ele avisa que, se perder na Justiça, a prefeitura vai recorrer até proibir o comércio. Mas esta é uma questão para ser resolvida no próximo ano.
João Batista Luz contesta o argumento lembrando que os produtos não-farmacêuticos expostos em sua farmácia são todos embalados para evitar contaminação. Não há como contaminar produtos fechados e nós não comercializamos produtos abertos, diz. Ele também acredita que esse tipo de serviço, nos moldes de uma loja de conveniência, é que fará a diferença no futuro.
A concorrência em Maringá é grande. As farmácias terão que apresentar um diferencial, como a permanência 24 horas e a diversificação. Agora, estamos fazendo em investimento para o futuro, sem esperar retorno por enquanto.Tática para atrair clientes é proibida de acordo com resolução estadual; locais funcionam sob liminar da Justiça
James NegriniVariedadesBolachas, chocolates, leite e refrigerantes é o diferencial em algumas farmácias de MaringáJames NegriniExpectativaPara o gerente comercial João Batista Luz, a diversificação de produtos ainda não é lucrativa





