Proprietários de farmácias de manipulação participaram ontem, no Calçadão, da manifestação nacional e coleta de assinaturas contra a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que proíbe os estabelecimentos de comercializar medicamentos nas doses já fabricadas pela indústria farmacêutica.
A medida está sendo submetida a uma consulta pública e pode, de acordo com representantes do setor, inviabilizar o funcionamento das farmácias magistrais.
Para evitar que norma entre em vigor são necessárias um milhão de assinaturas, que devem ser entregues até o próximo dia 15 à Anvisa, quando termina o prazo da consulta pública.
Nesta data, representantes de magistrais pretendem estar em Brasília para fazer pressão contra a medida. ''Queremos levar com a gente pelo menos 20 deputados estaduais e nos encontrarmos com a presidência da Anvisa para discutir a regulamentação'', afirmou a presidente do Núcleo Setorial de Farmácia de Manipulação de Londrina, Lourdes Marina de Andrade.
Das 33 farmácias de manipulação londrinenses apenas uma não aderiu ao movimento. O total de magistrais no Brasil é de 5.200. Com as homeopáticas, que também serão atingidas pela medida, o número sobe para 6.500 farmácias.
Os farmacêuticos acreditam que a regulamentação é uma reserva de mercado já que do ano 2000 até agora, o setor cresceu 10%.
''Queremos que uma resolução seja conversada com os farmacêuticos, que venha a ser feita em conjunto com a gente. A medida proposta pela Anvisa contou com a colaboração de farmacêuticos, mas não com os de manipulação'', questionou Lourdes Marina, destacando que entre as determinações, a necessidade de um cadastro mais detalhado dos clientes também inviabiliza a atividade.
Em defesa dos manipulados está a diferença de preço em relação aos industrializados, que em alguns casos chega a ser 80% mais caros .
Lourdes Marina ressaltou que o que diferencia o manipulado do industrializado é a possibilidade de ser personalizado ao cliente. Interessados na questão, os consumidores já sabem em qual dos lados se posicionar. O funcionário público federal aposentado José Fernandes, 65 anos, assinou o abaixo-assinado e quis mostrar a receita de um medicamento que, industrializado, custa R$ 28,00 e nas farmácias de manipulação o preço cai para R$ 7,00. ''É lógico que a regulamentação vai prejudicar o consumidor. A minha esposa tem que tomar esse medicamento pela vida toda. A diferença de preço chega a 200%'', comentou o funcionário público.

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