Farmacêuticos pressionam planos de saúde
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Andréa LombardoEquipe da Folha 
Curitiba- Farmacêuticos que atuam em laboratórios de análises clínicas privados e filantrópicos de todo o Estado decidiram, ontem, em assembléia promovida pelo Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR), a não assinar contratos com as operadoras de planos de saúde, enquanto as empresas não repassarem o reajuste de 30% a 35%, previstos na Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). A assinatura dos contratos foi uma imposição da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) por meio da Resolução nº 54.
O prazo fixado pela ANS para que os contratos fossem firmados terminou em 28 de maio. No entanto, de acordo com o presidente do CRF-PR, Everson Krum, justamente por causa do impasse com os planos de saúde, em relação aos valores pagos pelos serviços, a maioria dos laboratórios não assinou o documento.
A exemplo do que reivindica a classe médica, os laboratórios querem a implantação da CBHPM como forma de estabelecer uma tabela de valores e disciplinar a prestação de serviços. Krum destacou que, além de recompor a desafagem nos valores, a preocupação é com a qualidade dos serviços, já que os laboratórios precisam estar atualizando equipamentos para melhorar a precisão dos exames. Segundo ele, muitos dos reativos e equipamentos utilizados são fabricados por empresas internacionais, com preços em dólar, o que encarece ainda mais as despesas dos laboratórios.
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Joelson Zeno Samsonowski, disse que a posição da entidade em relação à classe médica, vale também para os laboratórios. ''As operadoras não têm condições, no momento, de repassar qualquer reajuste porque isso representaria um impacto nos custos. Ou não fazemos o reajuste ou vamos à insolvência'', declarou. O impacto, segundo ele, seria de 51,64%, enquanto a defasagem acumulada já é de 45,37%.
Médicos- A decisão do movimento nacional da classe médica de realizar assembléias estaduais, ontem, para votar a paralisação no atendimento aos usuários dos planos de saúde, não teve efeito no Paraná. A Comissão Estadual de Honorários Médicos já avançou nas negociações com as operadoras de planos de saúde. Por essa razão, os médicos do Paraná decidiram manter a deliberação da assembléia realizada em 15 de abril e que diz respeito apenas às operadoras de seguros de sáude. A decisão foi de cobrar R$ 50,00 por consulta, a partir de 1º de maio, diretamente dos usuários de seguros, obrigando as empresas a fazer o reembolso dos valores.


