O Centro de Estudos Nucleares da Universidade de São Paulo (USP) está prestes a lançar um complemento alimentar produzido a partir do processamento de minhocas africanas, rigorosamente produzidas em canteiros. O resultado é uma farinha de minhoca que pode servir para a alimentação de desnutridos, inclusive crianças, idosos, pessoas com doenças degenerativas e atletas.
A partir de janeiro, a farinha de minhoca deve ser uma das novidades no setor alimentício no País. Segundo o consultor técnico Manoel Tablas, o produto poderá ser vendido em cápsulas, comprimidos ou na forma de bolachas, pães e até de sopa desidratada. A comercialização do produto depende ainda de um registro do Ministério da Saúde. Estudo feito no centro, sediado em Piracicaba (SP), aponta que a farinha possui alto valor nutritivo, é rica em aminoácidos e composta por 58% de proteína.
O produto passou por exames de composição no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) de Campinas, no Laboratório Mabi, do Rio Grande do Sul, e no próprio centro de estudos da USP, que é o primeiro instituto oficial do País com embasamento tecnológico e científico para fornecer o ‘‘selo verde’’, exigido na exportação. Cada cápsula de farinha de minhoca consumida equivale nutritivamente a três claras de ovos ou a um bife de filé mignon.
Siu Mui Tsai, do Laboratório de Biologia Celular e Molecular da USP, disse que o produto é obtido por liofilização (desidratação) e trituração da minhoca gigante africana (Eudrilus eugenicie). Depois disso, o produto passa pela radiação de raios gama, que elimina os microorganismos atuantes na decomposição do produto.
O preço da farinha de minhoca, que ainda não foi comercializada, deve girar em torno de R$ 70,00 ou R$ 80,00 por quilo do produto. A farinha de minhoca pode ser utilizada na confecção de bolos, pães e bolachas. Cada receita pode conter de duas a sete colheres da farinha de minhoca, que é mais nutritiva. Segundo a quituteira Maria do Carmo Machi, pioneira na utilização do produto, o sabor dos alimentos não é modificado com a farinha. Entre os produtos que serão comercializados estão a farinha de minhoca natural, em cápsulas, em comprimidos e como sopas desidratadas.
Segundo o coordenador técnico do projeto, Manoel Tablas, a Green Seal - empresa responsável pela comercialização da farinha - será a primeira empresa do mundo a fabricar a farinha para o consumo humano. A farinha já é utilizada atualmente para a alimentação de peixes e pássaros ornamentais.

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