Farias será investigado por CPI em Maceió
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Hugo Marques (enviado especial) 
Maceió, 07 (AE) - A equipe da CPI do Narcotráfico que chega amanhã (08) à noite a Maceió vai concentrar suas investigações nas supostas conexões do deputado Augusto Farias (PPB-AL) com o crime organizado brasileiro e com a máfia italiana. Os parlamentares da comissão acreditam que Augusto Farias seja a peça que falta no quebra-cabeça da quadrilha denunciada pelo caminhoneiro Jorge Meres.
A CPI vai ouvir o ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante, preso por liderar a chamada "gangue fardada" de Alagoas. Apesar de Augusto Farias insistir que nada há contra ele, os parlamentares lembraram a importância do testemunho. Em depoimentos diferentes, o ex-caminhoneiro confirmou que Augusto Farias faz parte da mesma quadrilha do empresário Willian Sozza e dos ex-deputados Hildebrando Pascoal (AC) e José Gerardo (MA).
Um parlamentar assegurou hoje que a quadrilha está "quase debelada", faltando apenas uma "peça-chave", que seria Augusto Farias. A partir de qualquer prova testemunhal ou material que recolherem em Maceió, os parlamentares estão dispostos a sugerir à Câmara dos Deputados a cassação do seu mandato e, posteriormente, sua prisão. Além do depoimento de Meres, a CPI investiga se Farias esteve na fazenda de seu irmão José Rogério, em Nova Olinda (MA), apontada como local de reuniões da quadrilha.
A comissão parlamentar também manterá reuniões em Maceió com representantes da Secretaria da Segurança, Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário. Entre os parlamentares que participam da diligência estão os deputados Robson Tuma (PFL-SP) e Éber Silva (PDT-RJ). Deverão ser ouvidas 7 pessoas no Estado, incluindo o ex-tenente-coronel Cavalcante - condenado a 26 anos e 4 meses de prisão, por crimes de pistolagem e extorsão - e ex-seguranças de Paulo César Farias, morto em 1996. O inquérito foi reaberto e Augusto Farias foi indiciado como co-autor na morte de PC.
Máfia - A comissão investiga ainda a ligação de Augusto Farias com o italiano Domenico Verde, condenado na Itália por associação mafiosa. Verde voltou a residir numa mansão, em uma praia de Maceió. Ele esteve preso por três meses na Polícia Federal, no início de 1997, depois que o governo brasileiro recebeu carta rogatória da Divisão Antimáfia da Itália, informando sobre a condenação.
Segundo membros da Justiça ouvidos hoje em Maceió, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de extradição de Verde. No mês passado, a CPI do Narcotráfico encontrou um cheque do italiano, no valor de R$ 1.057,87, depositado em favor da empresa Blumare Veículos - que pertence a Luiz Romero Farias, irmão de Augusto. Na avaliação dos parlamentares, o cheque, mesmo sendo para pagar a revisão de um automóvel, mostra claramente que Verde continuou mantendo contato com a família Farias após a morte de PC.


