Faria Lima nega acusações
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 11 (AE) - O vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) negou todas as acusações envolvendo seu nome e pediu uma auto-investigação por meio de uma Comissão Processante (CP). Ele
porém, ainda não esclareceu os detalhes das acusações feitas pelo ex-chefe de Fiscalização da Administração Regional de Pinheiros, Marco Antônio Zeppini, em depoimento prestado semana passada à Polícia Civil e ao Ministério Público Estadual (MPE).
Em seu pronunciamento no plenário da Câmara Municipal durante a sessão de terça-feira, Faria Lima praticamente repetiu o teor da nota à imprensa divulgada depois de ter sido acusado por Zeppini. O vereador, que deixou o PPB no primeiro semestre e filiou-se ao PMDB em junho, abriu mão de seu sigilo bancário, telefônico e fiscal em março. A decisão foi comunicada aos promotores de Justiça e delegados da polícia que apuram irregularidades da máfia dos fiscais. Dizendo estar disposto a colaborar com as investigações, Faria Lima pediu a abertura de uma CP contra si próprio.
"Se houver algum impedimento jurídico, peço que a denúncia seja assinada pelo vereador Rubens Calvo (PSB)", disse. Desde que Zeppini fez as acusações contra Faria Lima, a reportagem do Estado tem tentado entrevistá-lo. Ele disse não poder dar declarações, nem comentar as acusações por orientação de seu advogado, Ronaldo Mazargão. O advogado foi procurado em seu escritório, mas ninguém atendeu o telefonema. Acusações - Zeppini, que foi preso em flagrante tentando extorquir uma empresária de Pinheiros e condenado a cinco anos de prisão, teria acusado Faria Lima de chefiar o esquema de cobrança de propinas na Regional de Pinheiros. De acordo com o depoimento do ex-chefe de Fiscalização da Regional de Pinheiros, o ex-administrador regional Osvaldo Kawanami fez uma reunião em janeiro do ano passado para comunicar que os fiscais teriam de conseguir R$ 120 mil mensais de ambulantes, comerciantes e proprietários de imóveis.
Esses recursos seriam usados para financiar a campanha política do pai de Faria Lima, José Roberto, candidato a deputado estadual não-eleito. O dinheiro seria entregue a Zeppini, que depois o repassaria à ex-encarregada da Regional de Pinheiros Maria Thereza Ferreira de Castro. Assessores políticos de Faria Lima consideram a história confusa e conflitante. Um dos motivos é que o vereador perdeu o controle político da regional no início do ano, quando criticou em plenário a atuação do ex-secretário municipal da Saúde Massato Yokota.


