Faria Lima evita falar sobre acusações
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de agosto de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 09 (AE) - O vereador Paulo Roberto Faria Lima (PMDB) não vai manifestar-se sobre as supostas acusações feitas pelo ex-chefe do setor de Fiscalização da Administração Regional de Pinheiros Marco Antônio Zeppini, mas os seus principais assessores políticos estão comentando que as informações são conflitantes e podem indicar um dos argumentos de defesa.
Na semana passada, Zeppini prestou depoimento à polícia no qual teria afirmado que Faria Lima beneficiou-se do esquema de cobrança de propina na Regional de Pinheiros. De acordo com depoimento do ex-chefe da Fiscalização daquela administração regional, os fiscais teriam sido obrigados a arrecadar R$ 120 mil mensais para o vereador.
Faria Lima não comentou e nem concedeu entrevistas porque não foi oficialmente comunicado da denúncia e o seu advogado, cujo nome também não foi revelado, ainda não teria tomado conhecimento da íntegra do depoimento. Em nota à imprensa
Faria Lima disse desconhecer o teor exato das declarações de Zeppini.
No documento, Faria Lima disse, ainda, ser preciso levar em consideração que a tentativa de escapar de uma acusação é acusar outras pessoas. Zeppini foi condenado a cinco anos de prisão e está preso.
O parlamentar lembrou ter aberto o seu sigilo bancário desde março deste ano e se colocado à disposição das autoridades competentes para qualquer esclarecimento. Os assessores políticos de Faria Lima comentam, em conversas reservadas, que se Zeppini disse realmente que a reunião na qual teria sido definida a cota mensal ocorreu em fevereiro de 1998, a informação é incoerente.
No início do ano passado, Faria Lima, que controlava politicamente a Administração Regional de Pinheiros, criticou o ex-secretário municipal da Saúde Massato Yokota por causa da intenção de fechar hospitais filiados ao Plano de Atendimento à Saúde (PAS). Em retaliação, o Executivo exonerou o administrador regional nomeado pelo vereador e indicou um novo engenheiro.
Alguns meses depois, Faria Lima passou a liderar o grupo dos rebeldes -- que chegaram a exigir o impeachment de Pitta. Os assessores de Faria Lima acreditam que as informações são, no mínimo, incoerentes, porque o vereador já não tinha nenhuma ascendência política sobre a Regional de Pinheiros.


