Farc lança movimento político clandestino
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de abril de 2000
Por Vivian Sequera 
Bogotá, 24 (AE-AP) - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que promovem conversações de paz com o governo, anunciaram hoje (24) o lançamento de um movimento político clandestino. A "clandestinidade" seria necessária para protegê-lo da "barbárie paramilitar".
Raúl Reyes, porta-voz da maior guerrilha da Colômbia, disse que a preocupação é proteger "a integridade física de cada um de seus integrantes... porque não podemos repetir experiências do passado". Ele referia-se ao aniquilamento da União Patriótica (UP), que nasceu como fruto de um acordo com o governo do presidente Belisario Betancur em 1984.
O grupo foi esmagado e seus dirigentes e simpatizantes assassinados por ativistas de ultradireita. A Fundação Manuel Cepeda, uma organização não-governamental criada em homenagem ao assassinado senador Cepeda da UP, estima que de 1985 até o início dos anos 90, 3.000 integrantes da UP foram assassinados numa onda lançada por grupos de direita e paramilitares.
Reyes disse à rádio RCN, depois de ler um comunicado anunciando a formação do Movimento Bolivariano, que "por enquanto é prematuro" especular se o grupo participará das eleições municipais de outubro.
A direção das Farc, reunida no final de março, decidiu promover no próximo 29 de abril o lançamento do "Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia" no povoado de San Vicente del Caguán, o maior dos cinco municípios desmilitarizados pelo governo e onde estão sendo realizadas desde janeiro de 1999 as conversações de paz.
Reyes disse que o movimento será dirigido por Alfonso Cano, um dos sete membros da liderança insurgente e considerado um dos ideólogos das Farc. O movimento busca, segundo Reyes, fazer política fora dos partidos tradicionais e servir como uma ferramenta adicional para quem "busca o fim do terrorismo de Estado, das injustiças, das desigualdades".
O porta-voz da guerrilha também confirmou a intenção das Farc de negociarem um cessar-fogo com o governo, e reafirmou que os rebeldes não interferirão nas eleições de 29 de outubro para governadores e prefeitos em todo o país.
Negociadores do governo e da guerrilha voltarão a se reunir na quinta-feira em San Vicente.


